Internacional

Governo britânico desiste de aplicação para rastrear pessoas infetadas com covid-19

A aplicação está em fase de testes desde o início de maio na ilha de Wight, mas falhou o objetivo de entrar em funcionamento para o país inteiro em meados de maio, como tinha sido anunciado.

O Governo britânico abandonou o plano de lançar a sua própria aplicativa de telemóvel para rastrear casos de pessoas infetadas com covid-19 devido a problemas técnicos e vai adotar a tecnologia fornecida pela Apple e pela Google, admitiu esta quinta-feira.

O ministro da Saúde, Matt Hancock, atribuíu as dificuldades as limitações do sistema operativos da Apple que está instalado nos iPhones para medir a distância entre diferentes telemóvel. 

"Medir a distância é essencial para qualquer aplicação de rastreamento de contactos. Atualmente, a nossa aplicação não funciona porque a Apple não quer mudar o seu sistema. E a aplicação deles não consegue medir a distância suficientemente bem a um nível com o qual fiquemos satisfeitos", alegou, durante a conferência de imprensa diária do Governo sobre a pandemia covid-19.

A aplicação está em fase de testes desde o início de maio na ilha de Wight, mas falhou o objetivo de entrar em funcionamento para o país inteiro em meados de maio, como tinha sido anunciado. 

O objetivo da aplicação é que os telemóveis comuniquem entre si através da tecnologia sem fios 'bluetooth' e registem os sinais de aparelhos de pessoas com que se cruzem para que, se uma for declarada infetada, as pessoas que tenham estado em contacto sejam avisadas automaticamente. 

No fim de maio entrou em funcionamento o sistema paralelo de rastreamento manual, através do qual as pessoas que testem positivo ao novo coronavírus são contactadas por funcionários do serviço 'Test and Trace' para que deem informações sobre com quem estiveram recentemente em contacto direto.

Atualmente, as autoridades britânicas estão a aconselhar pessoas que tenham estado em contacto direto com um infetado a menos de dois metros de distância e por mais de 15 minutos para ficarem em isolamento durante duas semanas.

O Reino Unido insistiu numa aplicação própria seguindo um modelo com uma base de dados centralizada, que levantou críticas sobre a privacidade pessoal, mas que as autoridades entendem que poderia ser útil para, por exemplo, identificar surtos localizados.  

A Google e a Apple, cujos sistemas operativos dominam o mercado dos telemóveis, privilegiam uma "arquitetura descentralizada", que permite armazenar os dados dos utilizadores nos seus próprios telefones, e que está a ser usada por países como a Suíça Alemanha e Itália. 

Hancock recusou dar uma nova data para o lançamento, embora tenha admitido que uma aplicação de telemóvel seria um "complemento extremamente útil" para pessoas que viajem nos transportes públicos juntamente com pessoas que não conhecem. 

Porém, acrescentou, ter "boa higiene das mãos", respeitar o distanciamento social e usar máscaras para a cara podem ser igualmente importantes nesta altura.