Sociedade

Detetados mais quatro casos ligados ao foco de covid-19 no serviço de hematologia do IPO de Lisboa

Durante o fim de semana três doentes que tinham estado internados no hospital tiveram teste positivo. O hospital detetou mais quatro casos, um ligado ao surto e outros no âmbito dos testes feitos habitualmente a profissionais e doentes.

O IPO de Lisboa detetou mais sete casos de infeção pelo coronavírus entre profissionais e doentes durante o fim de semana, quatro dos quais ligados ao surto identificado na semana passada no serviço de hematologia. O número de casos ligados a este foco de contágio subiu assim para 34, sendo 13 profissionais e 18 doentes. Três dos casos positivos detetados no fim de semana são doentes que estiveram internados no instituto e que já tinham tido alta, tendo sido testados nos hospitais das suas áreas de residência em Faro, Évora e Covilhã, no seguimento do plano de despistagem de covid-19 em todos os doentes e profissionais ligados ao serviço. Já o quarto caso foi diagnosticado no instituto.

Ao i, o hospital adianta que dos 18 doentes infectados, sete estão a ser acompanhados no domicílio e 11 estão internados noutros hospitais da grande Lisboa. O doente que inspirava maiores cuidados na sexta-feira já não está nos cuidados intensivos. Recorde-se que na sexta-feira faleceu uma das doentes que tinha sido infectada no serviço. Segundo o hospital, a doente tinha doença avançada e complicações prévias.

Os outros três casos foram detetados no fim de semana no âmbito do plano de rastreios internos no hospital aos profissionais de saúde e também os testes que são feitos a todos os doentes quando são admitidos para tratamentos ou cirurgia. Desde o início da pandemia foram testados 2832 doentes no IPO de Lisboa e 1656 profissionais, sendo que o rastreio já abrangeu 87% dos profissionais do IPO de Lisboa.

Na semana passada, a Direção Geral da Saúde indicou que as normas relativas à testagem de profissionais de saúde vão ser revistas para passar a indicar o teste a todos os profissionais que têm uma exposição de risco a pessoas infectadas, mas afastou o cenário de rastreios regulares a profissionais de saúde, o que no IPO de Lisboa permitiu detetar este foco de contágio.

Já o IPO de Lisboa assumiu ao SOL preocupação com o facto de ter sido detetada infração de regras de distanciamento no internamento em hematologia, na sequência de uma fotografia publicada nas redes sociais por um dos doentes que contraiu covid-19 no hospital em que aparecia ao lado de auxiliares, sem máscara e sem distância. O hospital assegurou que desde o início da pandemia sensibiliza e monitoriza a aplicação dos procedimentos instituídos e reforça a obrigação de todos profissionais do Instituto cumprirem rigorosamente as medidas de proteção, de contenção e de afastamento social durante os períodos de trabalho e nos mementos de pausa, em todos os espaços do IPO e também na vida privada, fora do hospital, comportamentos que são cumpridos pela generalidade dos profissionais.

Admitindo que a situação poderá ser alvo de um inquérito interno, o IPO acrescenta que "as manifestações de afeto que refletem a cultura humanizadora dos cuidados prestados no IPO Lisboa e que são tão importantes para os nossos doentes e profissionais não podem ser admitidas no atual cenário de pandemia. Neste sentido, a fotografia em causa revela uma óbvia violação dos procedimentos de segurança instituídos no IPO Lisboa, pelo que a situação será avaliada nos termos habituais e reforçados os mecanismos de sensibilização e cumprimento dos procedimentos formalmente definidos".

Desde o início da pandemia os testes feitos no IPO permitiram detetar 92 casos de infecção com o novo vírus, 42 profissionais de saúde, 35 doentes e 15 prestadores externos.