No meio de nós

Querer o bem do outro!

Os discursos racistas e antirracistas, os discursos homofóbicos e anti-homofóbicos, os discursos de defesa dos animais e o discurso anti-defesa dos animais. Tudo isto são discursos violentos que minam o coração dos homens uns contra os outros. Antigamente era a religião que matava, agora é a ideologia.

Para onde caminhamos enquanto civilização e enquanto cultura? O que se está a passar connosco? Porque estão tantos jovens a matar-se uns aos outros? O que nos falta, enquanto sociedade, para podermos conduzir a educação das gerações emergentes?

A notícia de mais um assassinato de um adolescente, às mãos de outro adolescente, e depois de várias mortes em casos idênticos terem ocorrido nos últimos meses, devem-nos fazer pensar para onde caminhamos.

O que define uma sociedade, enquanto tal, é o conjunto de valores que nos rege. Os valores são a base da educação das gerações e são transmitidas de geração para geração. 

O problema é que perdemos os valores essenciais para a convivência social e demos lugar às ideologias partidárias. As ideologias minam a sociedade e a educação das gerações. Parece que para defendermos os ideais de cada um somos capazes de esmagar os outros.

O respeito pelos outros é um valor que deveria ser universal na transmissão às novas gerações. Respeitar os outros, as suas diferenças, as suas posições, os seus ideais deveria estar na base da educação, acima de todas as ideologias.
Mas não! O que vemos é que hoje para se defender uma sociedade sem diferenças se vincam cada vez mais as diferenças. É incrível! 

A escola dita inclusiva, onde caibam todas as culturas e todas as gentes, tem gerados desigualdades que não tem fim. As crianças crescem votadas a si próprias, com aulas de instrução de matérias mais ou menos interessantes, com os pais a trabalharem para gastarem tudo o que têm na comida e na renda de casa e pouco mais. 

A violência que se encontram nestas novas gerações interroga-nos: o que se passam com estes miúdos? Será que quando discordam uns dos outros têm de resolver à facada os problemas? Com quinze anos? Será possível?
Nós quisemos retirar Deus da equação humana, para fazermos uma sociedade fraterna, porque acreditámos que era Deus o causador de muitas guerras entre os homens e uma fonte de preconceitos.

Mandámos Deus embora! Mas agora perguntamo-nos: se Deus existe, porque deixa Ele crescer o mal no coração do homem? Porque é que Deus permite que o mal se espalhe e manche de sangue crianças e adolescentes?

Na realidade, o que está a acontecer é uma tragédia que não irá correr nada bem!

Não basta ensinar comportamentos de cidadania! Não basta dizer que se deve amar os outros, que se deve respeitar os outros, quando no fundo exacerbamos os ódios nos discursos que levamos a cabo todos os dias.
Os discursos racistas e antirracistas, os discursos homofóbicos e anti-homofóbicos, os discursos de defesa dos animais e o discurso anti-defesa dos animais. Tudo isto são discursos violentos que minam o coração dos homens uns contra os outros. Antigamente era a religião que matava, agora é a ideologia.

É necessário que nos centremos nos valores base para fazermos ressurgir uma sociedade nova. Há décadas que andamos com programas de educação para a cidadania e estamos cada vez mais violentos e desrespeitadores uns dos outros.

Não se acreditava que existisse o pecado original que envenena o coração do homem desde a sua conceção. Pensava-se que “quando alguém nasce, nasce selvagem” – o bom selvagem – e que era a sociedade que ia corrompendo o homem.

Há anos que andamos a dizer a estes jovens que é bom respeitar os outros! Então se repetimos estas mensagens tantas vezes, porque é que assistimos cada vez mais a situações destas? Porque respeitar o outro é querer o bem do outro!