Politica

PSD contraria Marcelo enquanto PS faz eco das palavras do Presidente

O dirigente socialista José Luís Carneiro nega, assim como o chefe de Estado já o tinha feito, que situação epidémica esteja fora de controlo na Região de Lisboa e Vale do Tejo. Já o PSD alerta para indícios de uma “segunda onda” de covid-19 na zona e sublinha a existência de 53 surtos na Grande Lisboa. Posições semelhantes têm o CDS, que exige ação inequívoca do Governo e o Bloco de Esquerda, que defende a análise de eventuais causas laborais e sociais.

Depois de o Presidente ter feito o ponto de situação, após a reunião com especialistas no Infarmed, foi a vez de os partidos manifestarem as suas posições em relação ao que foi discutido no encontro.

“A situação encontra-se sob controle”, afirmou José Luís Carneiro, secretário-geral adjunto do PS. Na comparação com outros países europeus, Portugal tem a situação sob controle, insistiu o dirigente socialista, reconhecendo que são necessárias medidas seletivas em algumas zonas de Lisboa e Vale do Tejo. O que foi transmitido pelos especialistas é que o SNS tem capacidade de resposta para “a procura que se tem vindo a verificar”, sublinhou o dirigente socialista, assegurando que essa pergunta foi feita durante a reunião.

Já o deputado do PSD Ricardo Batista Leite defendeu que os números na Grande Lisboa serão uma “segunda onda” e não apenas o resultado de uma grande testagem.

O social-democrata frisou que “não se pode baixar a guarda” e alertou para a nova fase de desconfinamento com a chegada de muitos voos a partir de 1 de julho.

Há 65 focos de covid-19, 53 dos quais em Lisboa e Vale do Tejo, lembrou ainda, deixando um apelo aos infetados para que “fiquem isolados”. E sublinhou: “este é um momento crítico” para se manter a economia a funcionar e controlar os surtos.

Por sua vez, o Bloco de Esquerda reconheceu que a subida nos contágios da covid-19 não se deve apenas ao aumento da testagem. Moisés Ferreira insistiu por isso que é preciso reconhecer as causas laborais, de transporte e habitação. E que o Governo deve atuar. “É preciso medidas concretas”.

O CDS também alertou para os indícios de uma segunda vaga, de acordo com a explicação de alguns especialistas, relativa a Lisboa e Vale do Tejo e pediu ao Governo “comportamentos preventivos” e uma mensagem inequívoca. Francisco Rodrigues dos Santos pergunta por manifestações já agendadas, designadamente, da CGTP, para questionar critérios.

Inês Sousa Real, do PAN, lembrou que saiu da reunião com preocupação e recordou os alertas do seu partido, feitos na passagem do estado de emergência para o desconfinamento. Insistiu também no maior controle das cadeias de transmissão e pediu testes prévios antes dos voos.

O PEV avisou, por seu turno, que o “vírus não passou” e apontou com focos de contágio, por exemplo a coabitação, mas também a necessidade de se passar a mensagem de prevenção, quer na área laboral, ou noutras. O partido pediu ainda “campanhas claras “ de como se pode voltar ao dia a dia em segurança.

O Chega revelou que tinha reunido com a PSP para avaliar as condições da manifestação do próximo sábado. Sobre os casos de Lisboa e Vale do Tejo, André Ventura defendeu também que é preciso passar uma mensagem mais clara e alertou que é preciso testar os casos secundários e ter mais controle nesta área.

Por último, Carla Castro, da Iniciativa Liberal, afirmou que “esta não foi uma boa reunião”. A dirigente disse mesmo que o encontro foi “quase frustrante”.