Politica

Centeno a caminho do Banco de Portugal

Marcelo soube pelos media da decisão de António Costa, enquanto o novo regime de incompatibilidades para ex-governantes está congelado. Tudo a postos para o novo governador.

O primeiro-ministro, António Costa,  já formalizou a indicação do ex-ministro das Finanças, Mário Centeno, para o cargo de governador do Banco de Portugal e submeteu o pedido de audição do escolhido ao Parlamento. Já o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, soube da decisão pela comunicação. «Não vou comentar aquilo que soube pela comunicação social», explicou o chefe de Estado aos jornalistas na quinta-feira. Ontem, Marcelo Rebelo de Sousa procurou desvalorizar o caso, lembrando que a decisão «não passa pelo Presidente da República», mas sim pelo Governo e pelo Parlamento.

No Parlamento, o processo também mereceu críticas. O BE, pela voz de Mariana Mortágua, afirmou que  «o atual primeiro-ministro não teve nenhum momento formal para ouvir as opiniões dos diferentes partidos. Sabemos que António Costa fará a designação independentemente da posição dos partidos. Nesse âmbito, distingue-se muito pouco daquilo que o seu antecessor [Passos Coelho] fez quando nomeou Carlos Costa para o cargo de governador do Banco de Portugal».  E insistiu que Mário Centeno «não é a pessoa indicada para ser governador do Banco de Portugal».

Por sua vez, o presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, considerou que «o sistema não pode estar viciado, o PS não é dono do Estado e não pode haver um clima de mais do mesmo, com os mesmos a suceder a lugares que infelizmente nada abonam a favor da transparência, da autonomia e da liberdade dos supervisores e dos reguladores como é o caso do Banco de Portugal».

No Parlamento, o processo de debate na especialidade sobre a criação de um período de nojo para a passagem de políticos para a supervisão bancária está, entretanto, congelado por quatro semanas, enquanto se aguarda por um parecer do Banco Central Europeu. Inicialmente,  o PAN pretendia  acelerar o processo a tempo de travar legalmente a ida de Centeno para o Banco de Portugal. Para o efeito, chegou a ter o apoio do PSD, ainda que os sociais-democratas discordem do período de nojo de cinco anos, propondo, em alternativa, dois anos (e extensível a gestores da banca comercial). O CDS prefere três anos e ontem Cecília Meireles solicitou que a audição obrigatória (mas não vinculativa) de Mário Centeno só ocorra depois do debate de especialidade do diploma.

André Silva, do PAN, defendeu, por seu turno, que  «se deveria esperar pelo fim deste processo legislativo», acusando o Governo de teimosia. 

O PCP, por seu ladoo, voltou a defender que o Banco de Portugal não deve ser uma sucursal do Banco Central Europeu. 
Independentemente das resistências, os dados estão lançados para que Centeno assuma o novo cargo já em julho.