Hoje Escrevo Eu

Nos antípodas do sucesso

A ‘jacindamania’ que marcou as eleições em final de outubro de 2017, e levou a jovem líder à chefia do Governo, cumprido um mandato particularmente exigente – obviamente marcado pela pandemia da covid-19 –, tem vindo a enraizar-se no eleitorado, à esquerda e à direita.

A poucos meses das eleições na Nova Zelândia, o Partido Trabalhista de Jacinda Ardern tem mais de 56% das intenções de voto dos eleitores neozelandeses e uma popularidade (91% dos inquiridos em recente sondagem aprovam a forma como enfrentou a pandemia do novo coronavírus – um sucesso mundialmente reconhecido) sem par nos últimos 100 anos da história do país que fica geograficamente nos nossos antípodas.

Geograficamente, mas não só. Objetivamente, em quase todos os outros aspetos.

A ‘jacindamania’ que marcou as eleições em final de outubro de 2017, e levou a jovem líder à chefia do Governo, cumprido um mandato particularmente exigente – obviamente marcado pela pandemia da covid-19 –, tem vindo a enraizar-se no eleitorado, à esquerda e à direita.

Um amigo meu sempre atento, enviou-me há dias uma peça notável de comunicação de Jacinda Ardern: um vídeo na semana em que completou dois anos à frente do Executivo.

No vídeo, a primeira-ministra neozelandesa diz que a sua equipa a desafiou a resumir numa declaração gravada de dois minutos tudo o que fez em dois anos de Governo. Jacinda, depois de explicar em breves segundos ao que vinha e de dizer que aceita o desafio, manda arrancar o cronómetro e começa a desbobinar um conjunto de medidas e realizações nas mais variadas áreas, da Educação à Saúde, da Justiça à Economia, sempre com um sorriso no rosto que perde quando chega ao fim e constata que gastou «dois minutos e 56 segundos», mas que logo recupera para concluir «mas é uma ótima lista».

Há outros vídeos que circulam na net e que são ilustrativos da fibra desta política que conquistou os neozelandeses: um, de quando foi apanhada por um sismo numa entrevista em direto para a TV (conservando um humor e uma calma invulgares); outro, em que não perde um segundo a reagir ao jornalista que se esquece da pergunta quando ela lhe dá a palavra num briefing sobre a covid-19 (passa imediatamente a palavra ao seguinte, mas não sem lhe dizer que lha dará novamente, manifestando-lhe ainda preocupação com as horas de sono que deve andar a perder).

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