Sociedade

“Estavam com máscara?” A pergunta (e apelo) de um médico de família

O apelo de António Alvim, médico de família em Benfica, tornou-se viral nas redes sociais. ‘Os políticos deviam dar o exemplo’, diz ao SOL.

Os primeiros convívios, as primeiras idas à praia, o relaxamento do desconfinamento e a certa altura cai a ficha: percebe-se que se esteve com alguém infetado. No passado fim de semana, António Alvim, médico de família na Unidade de Saúde Familiar (USF) Rodrigues Migueis, em Benfica, relatou os telefonemas de utentes em forma de apelo no Facebook e a publicação, descrevendo as conversas, tornou-se viral. ‘Estavam com máscara? – Não (como se pode jantar com máscara, como se pode estar à conversa na praia de máscara?) E não estou a falar de pessoas dos bairros sociais. O vírus está mesmo a circular e não há ninguém de confiança porque o vírus ataca toda a gente’, lê-se no post que passou as 7 mil partilhas. Ao SOL, António Alvim, diz que foi mesmo o relato comum, de utentes, pessoas que foram à praia, jovens que foram jantar com os amigos, que o levou a escrever. «Se todos usarem máscara, estaremos todos mais ou menos seguros, mas é preciso usar sempre. Tirando aquelas pessoas com que vivemos dentro de casa e aí o risco existirá sempre, devemos usar sempre máscara quando estamos com os outros, nem que sejam os melhores amigos», diz, explicando que as pessoas pensam que só acontece aos outros e quando percebem que estiveram em risco ficam assustadas, quando se pode prevenir. «As pessoas precisam de socializar, mas devemos todos fazer um esforço».

António Alvim, militante do PSD, defende que os políticos deviam dar o exemplo, o que não tem acontecido. «Sempre que aparecem na televisão deviam estar de máscara. Ainda ontem (quarta) o Presidente da República quando falou aos jornalistas no final da reunião técnica estava sem máscara e devia estar, porque tinha por exemplo o intérprete de língua gestual perto dele. Era importante passar a mensagem».

Uma outra partilha feita nos últimos dias por muitos médicos, e não só, foi uma escala de situações de risco de contágio, feito com base num inquérito a 500 epidemiologistas (ver em baixo), que ajuda a tomar decisões antes de sair de casa. O site do Centro Europeu de Controlo de Doenças, para o qual Portugal reporta dados que não foram divulgados por cá, tem também uma tabela que mostra a frequência de diferentes sintomas por faixa etária com base em dados de cerca de 20 mil doentes sintomáticos em Portugal. Tosse seca, febre e dores musculares são os mais frequentes, mas há diferenças consoante a idade. A falta de ar, por exemplo, não é comum nos jovens, mas sentem mais vezes dor de cabeça do que os doentes mais velhos.