Sociedade

Maioria dos lares “viola lei” no que toca a número de enfermeiros contratados, alerta Ordem

Risco de surtos nas intituições é maior porque muitos funcionam com "recursos abaixo do mínimo exigido".

A Secção Regional do Sul (SRSul) da Ordem dos Enfermeiros chama a atenção, este sábado, para o facto de existirem muitos lares a funcionar com "recursos abaixo do mínimo exigido", o que aumenta o risco de haver mais situações como a de Reguengos de Monsaraz.

 A estrutura alerta, através de um comunicado, para o “risco de os surtos continuarem a atingir os lares para idosos" se a maioria das instituições continuar a "violar a lei” no que toca ao número de enfermeiros contratados.

"Existe um diploma legal (Portaria n.º 67/2012, de 21 de março) que estabelece o rácio enfermeiro/utente, mas que a grande maioria não cumpre, impunemente", lê-se no mesmo documento.

O risco dos surtos é tanto maior se "perante esta generalizada falta de enfermeiros nas ERPI, os ajudantes de lar, a mando dos responsáveis, continuarem a assumir funções que são próprias do profissional de saúde" e se "a generalidade das ERPI [Estrutura Residencia Para Idosos] não tiverem planos de contingência de acordo com as orientações das autoridades de saúde".

A Secção Regional do Sul (SRSul) da Ordem dos Enfermeiros acusa ainda o SNS de “suprir as faltas de profissionais nas ERPI, nomeadamente enfermeiros que, em cumprimento das normas legais, deveriam estar ali a trabalhar a tempo inteiro".

"É necessária uma atenção especial a estes idosos institucionalizados, são os nossos pais, os nossos avós, não os podemos deixar ao abandono, são uma franja da população particularmente vulnerável ao contexto epidemiológico em que vivemos. O número de utentes mortos nas ERPI é demasiado elevado. Mas se nada mudar, a tragédia vai seguramente permanecer", sublinha.

"A dignidade, a humanidade e a segurança dos cuidados degradam-se quando um só enfermeiro tem de assegurar cuidados a 70, 80 e até a mais de 100 utentes na mesma estrutura residencial - realidade muito comum em Portugal", acrescenta.

A estrutura lembra ainda que "quase um terço do total dos óbitos associados à infeção pelo novo coronavírus correspondem a utentes das ERPI".