Economia

EDP antecipa fecho das centrais a carvão. Sines encerra já em 2021

Esta medida de fecho antecipado deverá tem “custo extraordinário de cerca de 100 milhões de euros”.

A EDP vai antecipar o encerramento das centrais a carvão na Península Ibérica e arranca já com a Central de Sines, estando previsto o seu encerramento em 2021. “Foi entregue à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), uma declaração de renúncia à licença de produção para que possa encerrar a sua atividade em janeiro de 2021”, revelou a elétrica em comunicado.

Também a unidade 3 de Soto de Ribera, em Espanha “está em curso um projeto de conversão da central, que prevê a substituição do carvão por gases siderúrgicos nos próximos anos”. Na Central de Aboño, também na região das Astúrias, mantém-se o pedido de licenciamento anunciado em dezembro do ano passado, que prevê a conversão de carvão para gases siderúrgicos a partir de 2022. Esse processo envolve a modificação de um grupo com 342 MW de potência, mantendo-se um segundo grupo (de 562 MW) como apoio a indisponibilidades, contribuindo assim para uma economia mais circular.

De acordo com a empresa liderada Miguel Stilwell d’Andrade, esta decisão está enquadrada na estratégia de descarbonização do grupo EDP e “foi tomada num contexto em que a produção de energia depende cada vez mais de fontes renováveis”, acrescentando que “com o crescente aumento dos custos da produção a carvão, aliado a um agravamento da carga fiscal, e com a maior competitividade do gás natural, as perspetivas de viabilidade das centrais a carvão diminuíram drasticamente”.

Esta iniciativa de fecho antecipado deverá tem “custo extraordinário de cerca de 100 milhões de euros (antes de impostos) em 2020”, adianta ainda a EDP. E garantiu que “nos referidos processos de encerramento e reconversão respeitará integralmente todas as responsabilidades de índole laboral”.

 A elétrica está agora a avaliar o desenvolvimento de um projeto de produção de hidrogénio verde em Sines, em consórcio com outras empresas. “A decisão de antecipar o encerramento de centrais a carvão na Península Ibérica é assim uma consequência natural do processo de transição energética, estando alinhada com as metas europeias de neutralidade carbónica e com a vontade política de antecipar esses prazos”, explica Miguel Stilwell d’Andrade.

Venda de défice tarifário

Este anúncio surgiu depois de a EDP Serviço Universal, detida em 100% pela EDP, acordou a venda de 23,4% do défice tarifário de 2020 por 273 milhões de euros, através de cinco transações individuais. “Este défice tarifário resulta do diferimento por 5 anos da recuperação do sobrecusto de 2020 com a aquisição de energia aos produtores em regime especial [incluindo os ajustamentos de 2018 e 2019]”. 

Já este ano, no passado mês de março, a elétrica havia anunciada a venda de 70,6% do mesmo défice tarifário - de 2020, com ajustes relativos aos dois anos anteriores. Na altura, vendeu esta fatia por 825 milhões de euros.