Politica

Chega faz referendo à pena de morte

Proposta para casos de pedofilia e homícidio partiu de alguns militantes. André Ventura diz que é contra, mas vai levá-la a votos no dia das eleições para a liderança, 5 de setembro.

Portugal acabou com a pena de morte em 1867. Foi o primeiro a fazê-lo no Mundo e não há político que não se orgulhe disso quando se aborda o tema dos direitos humanos. Porém, o Chega, partido fundado por André Ventura, vai promover um referendo interno sobre a pena de morte para casos de pedofilia e homicídio. A consulta será feita no dia das eleições diretas internas para a liderança do partido, 5 de setembro, antes do seu congresso.

O objetivo é decidir (ou vincular) esta proposta em sede de revisão constitucional, a apresentar pelo Chega. A iniciativa partiu de um conjunto de militantes e André Ventura vai levá-la a referendo, apesar de o próprio garantir ao SOL que é «contra a pena de morte».

A pena de morte em Portugal é inconstitucional e não existe a nível europeu.

Esta semana, André Ventura deslocou-se a Bruxelas para estreitar relações com os representantes do Identidade e Democracia, a extrema-direita europeia.

O Chega já aderiu a esta família política europeia e Ventura garantiu já um encontro em Paris com Marine Le Pen, líder da Frente Nacional francesa, no próximo dia 8 de outubro. Mais, estará a ser preparado um outro encontro com o italiano da Liga da Norte, Matteo Salvini, entre 19 e 23 de outubro, em Roma.

O objetivo inicial de Ventura era convidar estes dois dirigentes políticos para se deslocarem ao congresso do seu partido. Que terá lugar a 19 de setembro.

Para já, ficam aprazadas as deslocações a Paris e a Roma. Além disso, os contactos em Bruxelas serviram para Ventura solicitar que fosse o mensageiro do discurso do Identidade e Democracia na convenção republicana dos próximos dias 24 a 27 de agosto em Charlotte, no estado norte-americano da Carolina do Norte. Será aí que Donald Trump será indicado como recandidato oficial ao cargo de Presidente dos Estados Unidos nas eleições de novembro.

De realçar que Ventura é o único candidato presidencial assumido nas próximas eleições, previstas para janeiro de 2021. Até lá, deverá suspender o mandato de deputado para fazer a campanha oficial, sendo que será substituído temporariamente pelo dirigente do partido (e seu número dois), Diogo Pacheco Amorim, considerado por muitos o ideólogo do Chega. Hoje, por exemplo, André Ventura prossegue os comícios de fim de semana (está a fazer um todos os sábados), desta feita, em Viseu, no Parque Municipal da Radial de Santiago.

No partido, esta semana, o Chega teve uma desfiliação: a de Manuel Pinho, ex-dirigente da distrital do Porto e um dos rostos do Chega em Paredes. O dirigente bateu com a porta e acusou Ventura de mentir e de encenar uma demissão da liderança do partido.

Entretanto, André Ventura foi notificado pelo Ministério Público como testemunha por causa de uma saudação nazi num comício do Chega, no Porto, em janeiro.