Opiniao

Alimentação e Nutrição em tempos de SARS-CoV-2

Nas camadas mais jovens e em idade trabalhadora, perderam-se os padrões/rotinas alimentares recomendados levando a um desequilíbrio do estado nutricional, ora por entraves à obtenção de produtos alimentares saudáveis, ora por maior facilidade de acesso às entregas de pratos prontos (fast-food) ao domicílio.

por Nelson Tavares
Diretor do Curso de Ciências da Nutrição da Universidade Lusófona

A alimentação e a nutrição fazem parte da vida de todas as pessoas para que estas permaneçam saudáveis. E neste contexto de pandemia do SARS-CoV-2, mais do que nunca, a alimentação e a nutrição adquiriram uma maior importância.

O distanciamento social, o confinamento e as quarentenas obrigatórias durante a pandemia provocaram um enorme impacto a nível físico e mental nos Portugueses. Estas medidas de saúde pública, embora necessárias, resultaram em alterações drásticas nos hábitos sociais, de trabalho e alimentares.

Nas camadas mais jovens e em idade trabalhadora, perderam-se os padrões/rotinas alimentares recomendados levando a um desequilíbrio do estado nutricional, ora por entraves à obtenção de produtos alimentares saudáveis, ora por maior facilidade de acesso às entregas de pratos prontos (fast-food) ao domicílio.

A larga maioria das pessoas infetadas apresentam sintomas leves, trata-se em casa e, para além da terapêutica, está recomendada uma dieta saudável. O recurso à hospitalização é necessário para uma minoria de doentes, sendo admitidos em unidades de terapia intensiva apenas uma percentagem reduzida. Infelizmente os idosos representam a faixa etária com maior morbilidade e mortalidade. Entre outros fatores de risco, apresentam elevada prevalência de hábitos e comportamentos inadequados em relação à alimentação e à nutrição.

A desnutrição tem um impacto negativo significativo na recuperação dos pacientes infetados. Tratando-se de uma infeção viral, o eficaz funcionamento do sistema imunitário é fundamental, e o estado nutricional contribui largamente para o seu fortalecimento.

Alguns alimentos e seus nutrientes distinguem-se pelas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, que diminuem o risco de infeção e melhoram a imunidade. É sabido que as proteínas, em particular as que contêm aminoácidos como a glutamina e a arginina, podem contribuir para a produção de anticorpos e ajudar na resposta que é dada pelo sistema imune. Também alguns micronutrientes como as vitaminas A, D, C, E, do complexo B, e minerais como o zinco, selénio e ferro são importantes, podendo modelar os processos anti-inflamatórios e oxidativos que ocorrem. As vitaminas merecem destaque porque podem interferir e ajudar a inibir a entrada de partículas virais nas células.

A flora intestinal tem um papel fundamental na imunidade do organismo, tanto na resposta ao vírus como nas sequelas que este deixa, nomeadamente complicações gastrointestinais, como diarreia, após resolução da infeção. Por isso, a ingestão adequada de prébióticos pode influenciar positivamente a flora intestinal e promover uma melhor recuperação.

Em suma, a promoção de hábitos alimentares saudáveis com ingestão de produtos alimentares variados e completos na sua composição nutritiva é de facto obrigatória para melhor combatermos esta pandemia com um corpo saudável e uma resposta imunitária ativa, eficaz e abrangente.