Sociedade

Media: guerra aberta entre cofina e media capital

Relação entre a Cofina e Media Capital já teve melhores dias e a dona da TVI acusa a empresa de Paulo Fernandes de ‘instrumentalizar a ERC’.

Desde que a Cofina deixou cair por terra o negócio da compra da Media Capital, a relação entre as duas empresas nunca mais foi a mesma. O caso mais recente de um mal estar crescente começou com uma comunicação levada a cabo pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social que revelava estar a averiguar todas as mudanças na Media Capital e na TVI.

No entanto, a resposta da Media Capital não se fez tardar através de uma carta a que o SOL teve acesso onde acusa ainda a Cofina de estar por trás desta investigação. A nota da holding que controla a TVI foi até já enviada à 1.ª Comissão da Assembleia da República, à Comissão da Cultura e a todos os líderes parlamentares.

No documento, a Media Capital relembra que a ERC anunciou estar a «avaliar o âmbito» e a «eventual configuração da nova posição» sobre uma «alteração não autorizada de domínio».

A empresa diz supor que as mudanças referidas pela ERC estão relacionadas com a alteração da composição do conselho de administração do grupo Media Capital, bem como da composição do conselho de administração da TVI. Face a isto, a Media Capital não tem dúvidas: «Trata-se de um comunicado de enorme gravidade», justificando que «em primeiro lugar, porque a ERC, sem sequer ter iniciado um procedimento prévio de esclarecimento junto da empresa, lança indiscriminadamente na praça pública a suspeita de que a TVI e/ou os acionistas da holding que a controlam teriam praticado um ato ilícito, inclusivamente passível de responsabilidade criminal e, portanto, criminoso».

Além de acusar a ação da ERC, que diz acreditar ser «um ato precipitado e infundado» a Media Capital acusa a Cofina, uma vez que esta avaliação da ERC surge na sequência de publicações «especulativas e infundadas» por órgãos de comunicação social «que pertencem ao grupo Cofina».

«Ora, este grupo já manifestou, por soberbas vezes, que está interessado em adquirir o controlo do grupo Media Capital», atira a dona da TVI.

A notícia de a Cofina continuar interessada em comprar a maioria do capital da dona da TVI tinha já sido avançada pelo SOL na sua edição passada. E a própria Cofina confirmou a intenção durante esta semana.

As críticas da Media Capital continuam: «A Cofina consegue, desta forma tão fácil, atingir os objetivos que a movem e que não são mais do que afetar o valor do grupo Media Capital e das suas participadas relevantes, como é o caso da TVI», afetando também a Prisa. A Media Capital acusa ainda a Cofina ter afetado o grupo por ter deixado cair por terra a compra.

A dona da TVI continua a carta acusando a Cofina de «instrumentalizar a ERC» para manchar a imagem do grupo concorrente – no que pode ser lido como uma referência às relações de proximidade entre o polémico presidente da ERC, Sebastião Póvoas, e o presidente executivo da detentora do CM, Paulo Fernandes.

Entretanto a Cofina regiu a estas acusações. Além de admitir o ainda interesse no grupo, a dona do Correio da Manhã relembra que, «nos termos da Lei, a ERC é uma entidade independente por natureza, dotada de amplos poderes de atuação oficiosa (sem necessidade de qualquer impulso de terceiros), e insuscetível de influências no exercício das respetivas competências e atribuições, cujo progresso e eventual desfecho estarão sempre na exclusiva esfera desta», disse à Lusa, garantindo não ter qualquer influência no regulador dos media.

 

CMVM investiga

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) está a analisar a relação entre a Prisa e a Pluris, do empresário Mário Ferreira, e o impacto na estrutura de controlo da Media Capital. A notícia foi avançada pela Lusa e confirmada pelo SOL junto da CMVM. «A CMVM tem estado a analisar, no âmbito do pedido de ilisão de presunção de atuação concertada entre a Prisa e a Pluris, a natureza da relação entre estes acionistas e a respetiva repercussão na estrutura de controlo da Media Capital, sendo relevantes, para o efeito da sua análise e decisão, todas as circunstâncias que reflitam a responsabilidade pela tomada de decisões».

Recorde-se que, a 14 de maio, Mário Ferreira comprou 30,22% da Media Capital, através da Pluris Investments, numa operação realizada por meio da transferência em bloco das ações por 10,5 milhões de euros. No dia seguinte, em comunicado enviado à CMVM, a empresa de Mário Ferreira dizia que «oportunamente se requererá […] a ilusão da presunção prevista no n.º 4 do mesmo artigo, uma vez que não resulta do referido acordo qualquer mecanismo de concertação entre a Pluris e a Vertix que vise atribuir, ou possibilite a atribuição, o poder de exercício de influência dominante, efetiva ou potencial, sobre a sociedade participada».

 

Mudanças e audiências

A mudanças de Cristina Ferreira da SIC para a TVI é apenas uma gota no oceano de todas as mudanças entre as duas estações – e até entre a RTP – nas últimas semanas. Anselmo Crespo vai assumir a direção de informação da TVI. E a equipa já constituída: Lurdes Baeta ocupará o cargo de diretora adjunta enquanto que Joaquim Sousa Martins, Pedro Benevides e Pedro Mourinho serão subdiretores. Esta equipa assumirá funções a 1 de setembro.

Estas alterações – às quais se juntam, por exemplo, a saída de Leonor Poeiras ou Patrícia Matos – surgem numa altura em que a Media Capital anunciou Manuel Alves Monteiro como novo CEO da empresa. João Baião e Diana Chaves substituem Cristina Ferreira no programa Casa Feliz.

Mas para já, estas alterações – que visam voltar a colocar a TVI no topo das audiências – ainda não deram resultado. A título de exemplo, a SIC terminou esta quinta-feira, 23 de julho, com audiências totais de 20,6%, muito acima da TVI que se ficou pelos 14,7%. E logo no primeiro dia, o programa de João Baião e Chaves continuou a liderar audiências tendo superado até o programa de Cristina Ferreira.