Sociedade

Nova etapa no desconfinamento dá início ao sexto mês de epidemia

Conselho de Ministros levantou estado de calamidade e dá margem para mais vida noturna, mas Grande Lisboa mantém-se com regras mais apertadas. Região teve três vezes mais casos depois do desconfinamento do que até então.

O país entra a 1 de agosto numa nova etapa do desconfinamento, agora com margem para mais alguma vida noturna, mas com a grande Lisboa a manter-se com regras apertadas. A principal novidade é a possibilidade de bares e discotecas – que o Governo decidiu ontem que vão permanecer encerrados enquanto tal – poderem funcionar como cafés ou pastelarias, que na área metropolitana de Lisboa mantêm horário de fecho até às 20h, como o restante comércio. Mais tarde podem fechar restaurantes e salas de espetáculo, que continuarão a ser os únicos elementos da vida noturna na grande Lisboa (passando os restaurantes a fechar em todo o país obrigatoriamente à 1h, quando até aqui subsistia alguma dúvida na interpretação da hora máxima após a entrada dos últimos clientes).

Os restaurantes (ou estabelecimentos que também estejam registados como restauração) são os locais onde se pode servir bebidas alcoólicas até mais tarde, desde que a acompanhar refeições. No resto do país também não há ordem para abrir discotecas e bares enquanto locais de diversão noturna (dança), mas aumenta o potencial de espaços que poderão estar abertos à noite. Esta era pelo menos a interpretação feita pelo setor (ver ao lado), que criticou a decisão do Governo, aguardando-se a publicação da resolução do Conselho de Ministros. As medidas, apresentadas pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, vigoram de 1 a 14 de agosto. É levantado o estado de calamidade nas 19 freguesias que até aqui tinham sido sinalizadas como tendo mais casos, mantendo-se a Área Metropolitana de Lisboa em contingência – e o país a duas velocidades.

Mariana Vieira da Silva defendeu ontem que desde o início do desconfinamento a situação no país foi de grande estabilidade e disse que assim se espera que prossiga: “Quando olhamos para os números – e é evidente que para cada pessoa doente, para cada pessoa que está isolada em casa estes processos são muito difíceis – mas temos números muito semelhantes àqueles que tínhamos quando iniciámos o processo de desconfinamento.” Pelo meio fica uma subida dos casos em Lisboa, que se acentuou no início de maio, e começou a descer nas últimas semanas.

Analisando os boletins da Direção Geral da Saúde, desde o início do desconfinamento, a 4 de maio, a região de Lisboa tinha registado até ontem 19 803 novos casos de covid-19, três vezes mais do que os 6136 casos que tinham sido reportados enquanto o país esteve sob estado de emergência, com a maioria dos estabelecimentos comerciais fechados e em regime de teletrabalho, à exceção dos serviços essenciais.

Na região Norte, que até ao levantamento do estado de emergência tinha sido o principal epicentro da epidemia, passando a barreira dos 15 mil casos, o desconfinamento foi mais suave, tendo havido um aumento dos casos nas últimas semanas. Ainda assim, desde 4 de maio foram reportados na região Norte 3485 novos casos de covid-19 – cinco vezes menos do que na região de Lisboa neste mesmo período de quase três meses. No Centro registaram-se 957 novos casos desde o início do desconfinamento, que não superam os 3478 que se registaram nos primeiros meses de epidemia. Diferente foi o que se passou no Alentejo e no Algarve, onde também já se registaram mais casos depois do início do desconfinamento do que antes. Em ambas as regiões, que tiveram ainda assim menos casos do que o resto do país, o número total de infetados mais do que duplicou desde que o país começou a reabrir.

Este domingo passam cinco meses desde que foram detetados os primeiros dois casos de covid-19 no país. Portugal passou a barreira dos 50 mil casos e continua a registar uma incidência a 14 dias acima da média europeia, mas melhor agora – ontem a Dinamarca retirou o país da lista de destinos para os quais é exigida quarentena.

A covid-19 vitimou até esta quinta-feira 1727 pessoas no país, a maioria com mais de 70 anos. Foi na região Norte, onde houve maior incidência da doença na população mais idosa, que se registou o maior número de vítimas mortais. Mais de 36 mil pessoas recuperaram da infeção. Apesar de o Governo apontar para uma situação semelhante em termos de incidência de novos casos à que havia no início do desconfinamento, esta quinta-feira existiam ainda 13 mil casos ativos no país, quando em maio chegaram a baixar para o patamar dos 11 500. E mais 10 mil pessoas sob vigilância do que quando o país começou a desconfinar. Mantêm-se hospitalizados cerca de 400 doentes, mas desde o início da epidemia os hospitais portugueses já trataram mais de 5 mil casos de covid-19. Os restantes doentes foram seguidos em casa.