Economia

PIB português sofre queda histórica no segundo trimestre

Dados dizem respeito ao período do estado de emergência e das restrições face à pandemia. Governo diz que Portugal está preparado. França e Espanha também registaram quedas histórias. 

O PIB em Portugal recuou 16,5% em termos homólogos no segundo trimestre de 2020, a maior descida de sempre.

"Este resultado é explicado em larga medida pelo contributo negativo da procura interna para a variação homóloga do PIB, que foi consideravelmente mais negativo que o observado no trimestre anterior, refletindo a expressiva contração do consumo privado e do Investimento", adianta o INE, que decidiu antecipar a divulgação dos dados do PIB.

Em termos homólogos a queda em cadeia neste trimestre, em relação aos primeiros três meses do ano, foi de 14,1%, segundo o INE.

No primeiro trimestre do ano, o PIB nacional tinha recuado 2,3%, depois de um aumento de 2,2% nos três meses anteriores.

Sublinhe-se que os três meses em causa dizem respeito ao período do estado de emergência e das consequentes medidas adotadas face a pandemia de covid-19.

 

Espanha e França também com quedas históricas

Mas não foi só em Portugal que os dados foram desanimadores. Também a economia espanhola registou uma queda – também ela histórica – de 18,5% no segundo trimestre deste ano face ao primeiro. O confinamento para combater a pandemia de covid-19 foi o principal motivo para esta queda, avançou o instituto nacional de estatística espanhol.

Segundo o organismo, esta evolução do PIB está relacionada com o consumo das famílias (21,2%), o investimento empresarial em bens de capital (25,8%) e as exportações (33,5%).

Ainda na Europa, França também anunciou hoje uma quebra história de 13,8% no seu PIB no segundo trimestre, avançou o Instituto Nacional de Estatística e de Estudos Económicos. Ainda assim, o valor não é tão alto como o previsto por analistas e pelo próprio instituto que tinham previsto uma queda de 17%.

O consumo das famílias caiu 11%, os investimentos 17,8% e as exportações 25,5%.

Segundo o instituto “a evolução negativa do PIB no primeiro semestre de 2020 está ligada à cessação de atividades não essenciais no contexto da contenção implementada entre meados de março e início de maio”.

No entanto, “o levantamento gradual das restrições levou a uma recuperação gradual da atividade económica em maio e junho, após o ponto mais baixo atingido em abril”, lê-se na nota.

Na Zona Euro, a quebra homóloga do PIB no segundo trimestre foi de 15% e em cadeia de 12,1%. Os números foram divulgados pelo Eurostat que, face a estes valores, não tem dúvidas: “Estas foram de longe as maiores quedas observadas desde que a série histórica começou em 1995”.