Renting. Pandemia provoca quebra no setor de 13,7% no primeiro semestre

O financiamento especializado manteve, contudo, o seu apoio à economia nacional e encerrou o primeiro semestre de 2020 com quebras abaixo das esperadas, conforme revelam as estimativas da ALF.

Nos primeiros seis meses de 2020, os resultados finais do setor do renting revelam uma quebra de 13,7% quer em número de viaturas adquiridas (12 669 viaturas, sendo 10 201 de passageiros e 2468 comerciais), quer em produção (258 milhões de euros), revelou esta segunda-feira a Associação Portuguesa de Leasing, Factoring e Renting (ALF). Após um primeiro trimestre que indiciava um bom crescimento do financiamento especializado em Portugal, a pandemia de covid-19 veio provocar uma redução acentuada na atividade económica de vários setores que são tradicionalmente clientes dos produtos de financiamento especializado no segundo trimestre.

Em comunicado, a ALF revela que “apesar da quebra verificada na nova produção, a frota total gerida pelas empresas de renting manteve-se com uma evolução positiva, alcançando as 119 mil viaturas, no valor de 1,9 mil milhões de euros, resultando num crescimento de 3,0% e 5,5%, respetivamente”.

“Já o setor do leasing, no primeiro semestre de 2020, apoiou investimentos no valor de 1,13 mil milhões de euros, uma redução de 25,7% face ao período homólogo, em que o montante dos contratos novos celebrados ascendeu a 1,53 mil milhões de euros”, de acordo com as estimativas da ALF.

A locação financeira mobiliária foi responsável por 756 milhões de euros em investimentos, observando-se uma quebra de 31%, quando comparando com o primeiro semestre de 2019, em que o valor ascendeu aos 1,1 mil milhões de euros. O leasing de viaturas foi o que mais contribuiu para este valor, sendo responsável por 501 milhões de euros, associados a 14 991 viaturas, das quais 13 052 viaturas ligeiras (363 milhões de euros) e 1939 viaturas pesadas (138 milhões de euros). Já o leasing de equipamentos foi responsável por 3754 novos contratos no valor de 255 milhões de euros.

Menor quebra sentiu-se na locação financeira imobiliária, com uma redução de 12,1%. Nos primeiros seis meses de 2020, este produto do financiamento especializado apoiou investimentos no valor de quase 378 milhões de euros, enquanto no mesmo período do ano passado tinha suportado 430 milhões de euros. A grande maioria (87%) dos contratos de Leasing Imobiliário foi celebrado por empresas ou entidades públicas, num total de 329 milhões de euros, com os particulares e profissionais liberais a representar contratos no valor de 49 milhões de euros (13%).

Na sua globalidade, o setor do factoring apresentou uma quebra de 9,0% face ao primeiro semestre de 2019, com as instituições associadas da ALF a tomarem 15,1 mil milhões de euros em faturas nos primeiros seis meses de 2020.

Os valores do factoring doméstico revelam um decréscimo de 12%, face ao mesmo período do ano passado, com 7,1 mil milhões de euros em créditos tomados. Já no confirming (serviço em que a instituição de factoring efetua o pagamento aos fornecedores do seu cliente, podendo estes solicitar a antecipação do mesmo) observou-se uma diminuição de 0,3% face ao ano transato, traduzindo-se em 6,1 mil milhões de euros.

Na vertente internacional, o factoring de exportação registou 1,8 mil milhões de euros em créditos tomados, apresentando uma descida de 20,8%, comparativamente ao ano anterior, e o factoring de importação 93 milhões de euros, decrescendo 24,1%.

Em relação aos desafios que se colocam ao setor, o presidente da ALF, Alexandre Santos, destaca que“este primeiro semestre de 2020 demonstra um desempenho dos três setores que representamos em linha com as previsões devido à paralisação da economia na sequência da pandemia de cOVID-19, que Impactaram fortemente o segundo trimestre”. “O ambiente económico altamente incerto reflete-se no investimento empresarial, mas estamos, ainda assim, otimistas relativamente a uma recuperação logo que a situação estabilizar com a ajuda de uma política monetária ‘acomodativa’ da Comissão Europeia. Porém, nestes tempos mais turbulentos, a prioridade das associadas da ALF mantém-se: colaborar e apoiar as empresas, particularmente as pequenas e médias empresas, para que possam enfrentar a grave recessão económica que se prevê”, refere o responsável.

O porta-voz da associação que representa quase 100% do setor acrescenta ainda que “as associadas da ALF estão a reagir de forma muito positiva, adaptando-se a estes momentos únicos, criando novas oportunidades e novos serviços para manter o apoio prestado ao tecido empresarial nacional, neste momento, em que mais necessitam dele”.