Sociedade

Soure. lP garante que "deu cumprimento a todas as recomendações"

António Laranjo destacou que foi aberta uma investigação interna para apurar as causas e responsabilidades do incidente e que, por isso, neste momento, até que a investigação esteja completa, não se deverá “pronunciar sobre as causas” do mesmo. 

António Laranjo, presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), garantiu, esta segunda-feira, que a empresa pública “deu cumprimento a todas as recomendações” do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF).

Em conferência de imprensa, o responsável falou sobre o acidente ferroviário que ocorreu em Soure, na passada sexta-feira, depois de um comboio alfa-pendular da Comboios de Portugal (CP) embater num veículo da Infraestruturas de Portugal (IP), que fazia a manutenção da via. Do acidente resultaram dois mortos, oito feridos graves e 36 ligeiros. A garantia de António Laranjo surgiu depois de o jornal Público noticiar que, em 2018, o GPIAAF já tinha feito algumas recomendações de forma a evitar acidentes relacionados com o desrespeito por sinais vermelhos, depois de nesse ano um comboio ter embatido num camião. No conjunto de recomendações estava o aumento da temporização entre o aviso de chegada de um comboio e o momento em que as barreiras fecham. De realçar que as conclusões já divulgadas sobre o acidente ocorrido em Soure, dão conta da ultrapassagem de um sinal vermelho pelo veículo de manutenção.

António Laranjo destacou que foi aberta uma investigação interna para apurar as causas e responsabilidades do incidente e que, por isso, neste momento, até que a investigação esteja completa, não se deverá “pronunciar sobre as causas” do mesmo.  “Agiremos em conformidade”, garantiu.

"A linha do Norte, e particularmente este troço, está equipada de sistemas tecnologicamente avançados dotados de mecanismos modernos de segurança que, infelizmente, não impediram a ocorrência deste acidente", disse.  “Queremos afirmar que a IP deu cumprimento a todas as recomendações” do GPIAAF, acrescentou.

Já Luísa Garcia, do departamento de Segurança da IP, assegurou que todos “os trabalhadores com funções de condução de veículos especiais têm carta de maquinistas”, e que, de 2017 a 2019, foram realizadas 18 mil horas de formação. A responsável realça ainda que o maquinista é "sempre acompanhado por outro trabalhador que tem a habilitação de maquinista, que é uma formação mais abrangente que de agente de acompanhamento", sendo assegurado pela empresa que é sempre "um segundo maquinista que acompanha o primeiro".

 “A IP sempre cumpriu e continua a cumprir os princípios e regras de segurança do sistema ferroviário, sendo que a expedição do veiculo [de manutenção] só é permitida quando todo o itinerário está livre”, disse.