Vinagrete

Juan Carlos sai de Espanha

Juan Carlos ainda não deu lugar à República, mas viu os espanhóis pronunciarem-se pela primeira vez claramente a favor da Monarquia, depois de anunciar a sua saída de Espanha, por causa de corrupções de que se falava antes à boca pequena e de que toda a gente já sabia e não tinha ar de se importar com nada.

A Monarquia parece ter uma estranha maldição em Espanha: Afonso XIII acabou repudiado pelo seu povo, e teve de sair do país para dar lugar à República: Juan Carlos ainda não deu lugar à República, mas viu os espanhóis pronunciarem-se pela primeira vez claramente a favor da Monarquia, depois de anunciar a sua saída de Espanha, por causa de corrupções de que se falava antes à boca pequena e de que toda a gente já sabia e não tinha ar de se importar com nada, parecendo que até dificilmente poderão ser condenados esses actos em tribunal.

Isto, num país que constava ser mais ‘juancarlista’ do que monárquico.

Porque Juan Carlos não era apenas um chefe de Estado muito empático; fora ele que tivera a iniciativa de devolver a democracia aos espanhóis – e talvez por isso fosse tão apoiado por figuras que iam de Felipe González a Santiago Carrilho – passando pele generalidade dos diários mais importantes até há bem pouco tempo.

Talvez por aí haja quem se apresse a salientar as vantagens da República em relação à Monarquia. E quem serei eu para o contrariar? O que me faz confusão é um democrata não ser automaticamente contra excessos económicos.

 Por que constava que Juan Carlos esteve relacionado com os maiores escândalos económicos do país: ainda quando gente do BES fazia exportação de divisas, numa altura em que isso era proibido, e depois deixou de o ser; ou no caso Banesto; ou no caso de Javier de la Rosa (dois temas que tantos espanhóis deixaram pendurados em fim de vida, e sem as suas poupanças de sempre). E outros escândalos políticos, como o assalto a uma casa da actriz tida como ex-amante de Juan Carlos (Mariana Rey?!), para lhe roubarem uma cassete que implicaria Juan Carlos como seu amante.

 Por outro lado, seria ele o único chefe de Estado europeu e poder receber presentes secretos e sem limite de valor. Havia a ideia, que seria partilhada pelo próprio, que teria de enriquecer (como enriqueceu) por ter herdado uma

Claro que para Portugal, será melhor ele escolher outro exílio.

 Entretanto, o filho está a portar-se melhor do que o pai, apesar de não ter nenhuma empatia com a população. Agora que quer a Catalunha fugir, e depois o Pais Basco, é natural que o eleitorado se queira agarrar à Monarquia como forma de melhor manter a unidade de Espanha. E quando repararem que a Monarquia é indiferente para isso, ou até talvez prejudicial?