Cultura

Pedro Vidal. ‘O rock pode ter um papel interventivo’

 Passou por bandas como os Blind Zero, os WrayGunn e tornou-se o guitarrista e diretor musical de Jorge Palma. Nos últimos anos, na sua alma de rock foi-se abrindo um novo mundo: o das canções cantadas em português – um enlevo que traz agora, aos 42 anos, para um projeto em nome próprio que, não sendo o primeiro, é aquele em que Pedro diz, finalmente, ter despejado o coração.

Cursou Direito, que não chegou a acabar porque percebeu que, afinal, era possível ser músico em Portugal. Autodidata, Pedro Vidal foi dando pequenos e sólidos passos no meio musical português, quase sempre à guitarra. Passou por bandas como os Blind Zero, os WrayGunn e tornou-se o guitarrista e diretor musical de Jorge Palma. Nos últimos anos, na sua alma de rock foi-se abrindo um novo mundo: o das canções cantadas em português – um enlevo que traz agora, aos 42 anos, para um projeto em nome próprio que, não sendo o primeiro, é aquele em que Pedro diz, finalmente, ter despejado o coração. Chama-se Desconectados (nome que acompanha o primeiro single, o único disponível por agora e cujo videoclipe foi recentemente gravado no Coliseu de Lisboa) e pertence ao primeiro álbum da banda, Liberdade Incondicional, que deverá ser lançado no início do próximo ano. E, se de um filme se tratasse, diríamos que tem um elenco de luxo: Mário Barreiros masterizou o disco, Manuel Cruz (Ornatos Violeta) assinou um tema, Jorge Palma empresta, ao lado de Pedro, a sua voz a outro. A cereja no topo do bolo são quatro presentes - leia-se temas – vindos do mestre e amigo Carlos Tê. «Devo ter feito alguma coisa decente», diz-nos, a partir do Porto, o guitarrista que agora saltou para a frente do palco.

Quando começou o seu caminho na música? Foi na infância ou mais tarde?
Por volta dos seis, sete anos, eu cantava Marco Paulo nas festas de família. (risos). Aos dez, 11 anos, andava sempre no carro a ouvir Beatles e Pink Floyd, e depois comecei a gostar de Bon Jovi e Aerosmith. Comecei a tocar guitarra aos 13 anos e, a partir daí, comecei logo a fazer bandas com amigos. Sempre fiz músicas, tocava, cantava. Ainda fiz quatro anos do curso de Direito mas, depois, apareceram os Blind Zero e percebi que era possível ser músico em Portugal.

Perdeu-se um advogado, ganhou-se um músico.
Um mau advogado, certamente. Sempre fiz as coisas com muita paixão. Fui fazendo um percurso normal na escola mas, quando chegou a altura de ir para a faculdade, isto em 1994, 1995, não havia propriamente grandes cursos de música. Então, como estava em Humanidades, achei que o Direito poderia dar-me várias saídas, mas continuei sempre a tocar, sempre a fazer bandas, sempre a ensaiar.

E, geograficamente, estamos a falar de que sítio? Onde cresceu?
Mesmo no centro do Porto, no Jardim de Arca d’Água, onde morava a minha avó. Tive uma pequena fase em Gaia, mas dos seis aos 18, 19 anos foi sempre ali no Jardim de Arca d’Água que eu cresci, que andei de bicicleta, que fumei os primeiros cigarros, que, se calhar, dei os primeiros beijinhos. (risos) 

Tinha alguém na família que tivesse este gosto pela música ou nasceu verdadeiramente só consigo?
Não tenho ninguém que possa dizer que fosse ligado à música na minha família. Mas adorava ir no carro com o meu pai e o meu irmão e obrigava-o a pôr Beatles ou Pink Floyd, e adorava cantar. Por isso, penso que este bichinho tenha estado sempre comigo.

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