Tiago Mayan Gonçalves, candidato à Presidência da República. “Quero discutir uma visão de um Portugal mais liberal”

Tiago Mayan Gonçalves diz que Marcelo fez um ‘pacto de colaboração’ com o Governo para cumprir o sonho de ser o Presidente mais popular de sempre. Garante que vai ter apoios fora da Iniciativa Liberal e quer fazer uma campanha em contacto com as pessoas. 

Tiago Mayan Gonçalves nasceu e vive no Porto, é advogado e tem 43 anos. Foi militante do PSD, mas só se envolveu na política ativa quando Rui Moreira se candidatou, pela primeira vez, à câmara do Porto. É o candidato dos liberais, mas espera conseguir apoios entre os militantes do PSD, CDS e da Aliança. Faz duras críticas a Marcelo por ter ajudado o Governo, mas também a Rui Rio e a André Ventura. O grande objetivo é aproveitar a campanha para passar a mensagem dos liberais. 

Como vai ser a sua campanha eleitoral com as restrições provocadas pela pandemia?
Gostaria muito de fazer uma campanha junto das pessoas, mas  claro que há aqui um fator de incerteza associado à pandemia.

Isso pode limitar muito esta campanha?
Vai ser limitada desde logo porque é o Presidente da República que tem que marcar as eleições, todo o calendário de campanha é definido em função do dia das eleições e está visto que Marcelo  vai fazer isso à última hora. Logo isso limita todos os candidatos exceto o incumbente, porque ele já está em campanha desde que foi eleito. Há essa limitação prática e temporal. 

Gostava que os candidatos pudessem fazer debates?
Penso que tenho uma proposta diferenciadora e descomprometida. Sou alguém que pode propor um exercício independente da função e seria bom debater para mostrar essas diferenças. Gostava também muito de estar com os cidadãos e de falar com eles. 

Que tipo de campanha vai fazer?
É preciso perceber o que podemos fazer no contexto da pandemia. Já estou a ter atividades junto dos núcleos territoriais da Iniciativa Liberal. Quero estar em contacto com a população. Gosto desse contacto direto e quero fazê-lo. 

As limitações impostas pela pandemia podem beneficiar o atual Presidente da República?
Pode beneficiar. Ele está em campanha desde que foi eleito. 

O que gostaria de discutir nesta campanha presidencial?
Quero discutir uma visão de um Portugal mais liberal. Isso significa conceber a libertação do cidadão do peso da carga fiscal. Libertá-los das teias burocráticas. Vou defender que o Estado tem de ser uma pessoa de bem. Dou-lhe um exemplo: o Estado não paga aos seus fornecedores e depois persegue-os porque se atrasaram um dia na declaração periódica do IVA. E, naturalmente, é preciso garantir que cada órgão de soberania está a cumprir o seu papel e que o Governo não está a meter a mão e a dominar todos os aspetos da vida pública e da vida económica. E também temos visto neste Governo tentativas de controlo do espaço mediático.

É importante discutir a corrupção?
É importante, mas uma solução muito simples para atacar a corrupção seria termos menos Estado. Uma solução simples é diminuir o peso do Estado. OPresidente não é um juiz, mas tem de dar visibilidade a esses assuntos. A justiça tem problemas de falta de celeridade, mas também de falta de recursos. OGoverno determina os recursos dados à justiça e não tem sido uma prioridade. 

A Justiça deve ser uma prioridade?
Era necessária uma reforma profunda de todo o sistema. Não tem sido prioridade para o Governo. As prioridades são comprar a TAP, por exemplo. Se uma parcela disto fosse aplicada numa reforma séria da Justiça teríamos uma justiça mais célere e capaz.  

Como viu as restrições que estão a ser aplicadas durante a pandemia. Há alguns exageros?
O mais grave nisso é criar as regras para os cidadãos e criar depois exceções para o Estado e para as suas clientelas. Esse é o aspeto mais grave.  Desta forma a população em geral não compreende estas regras. Um estádio de futebol estar vazio e o Campo Pequeno poder ter gente torna-se difícil de compreender. 

Pensei que ia falar da Festa do Avante!
Compreenderia a Festa do Avante! se outros cidadãos e outras empresas que querem fazer as suas festas e os seus eventos culturais e desportivos também tivessem a mesma oportunidade.  Os festivais estão proibidos, mas há um festival de música que pode acontecer. Isso está a criar incompreensões na população.

Não olha para a Festa do Avante! como uma iniciativa política?
Não. As iniciativas políticas não devem ser proibidas. Não estou a dizer que a Festa do Avante! tem de ser proibida, mas temos de ser coerentes.  

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