Economia

Mota-Engil anuncia redução do investimento em 2020

A Mota-Engil fechou o primeiro semestre deste ano com um prejuízo de 5,04 milhões de euros, valor que compara com 8,13 milhões de euros de euros no período homólogo, foi anunciado esta quinta-feira.

A Mota-Engil vai reduzir o investimento previsto para 2020 devido à pandemia. O valor deverá ficar abaixo dos 200 milhões de euros, sendo parcialmente financiado por "adiantamento de clientes", foi anunciado esta quinta-feira.

Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo informa que o investimento ficará abaixo dos 200 milhões de euros (parcialmente financiado por adiantamentos de clientes), uma redução face à estimativa inicial que se cifrava entre os 200 e os 250 milhões de euros.

No comunicado dos resultados do primeiro semestre (prejuízo de 5,04 milhões de euros, face a lucros de 8,13 milhões no período homólogo), o grupo dá conta de que, nomeadamente em Portugal, "acedeu ao regime de moratórias estabelecido pelo Estado/sistema financeiro português, o qual lhe permitiu adiar cerca de 340 milhões de euros de reembolsos de capital e de juros".

Paralelamente, "negociou e tem vindo a negociar linhas adicionais de liquidez com os bancos portugueses (linhas covid – no montante de cerca de 23 milhões de euros) e com os bancos locais nos principais países onde opera em África e na América Latina", sendo estes dois mercados os que mais sofreram o impacto da pandemia.

O grupo "acelerou um conjunto de medidas de eficiência que já se encontravam em curso e procedeu ao adiamento de algum investimento previsto para 2020", refere.

"Desta forma, em 30 de junho de 2020, o reembolso da dívida bruta com vencimento a um ano, no montante de 636 milhões de euros, encontra-se totalmente assegurado através das disponibilidades existentes, através das linhas de crédito disponíveis e não utilizadas, e/ou através das operações já refinanciadas ou em vias de refinanciamento após 30 de junho de 2020 (314 milhões de euros)”, informa.

Prejuízos de 5,04 milhões no primeiro semestre. A Mota-Engil fechou o primeiro semestre deste ano com um prejuízo de 5,04 milhões de euros, valor que compara com 8,13 milhões de euros de euros no período homólogo, foi anunciado esta quinta-feira.

Em comunicado à imprensa, o prejuízo de cinco milhões de euros é justificado com "o registo de 16 milhões de euros contabilizados como provisões e perdas de imparidade de modo a acautelar os efeitos negativos provocados pela pandemia covid-19".

No comunicado à CMVM, a Mota-Engil informa que "a atividade do grupo no primeiro semestre de 2020 não ficou alheia aos impactos provocados pela pandemia [de covid-19], tendo essencialmente o negócio de Engenharia e Construção (E&C) sido o mais atingido fruto das interrupções/paragens de produção, ora provocadas pelas medidas restritivas de saúde pública implementadas nos diversos países onde o grupo opera, ora provocadas pelas dificuldades logísticas em movimentar pessoas, equipamentos e mercadorias".

O maior impacto da pandemia foi nos mercados africanos e de forma ainda mais marcante na América Latina, refere o grupo.

Nos primeiros seis meses do ano, o volume de negócios do grupo caiu 14%, para os 1,2 mil milhões de euros, sendo o impacto da covid-19 contabilizado em 280 milhões de euros, refere em comunicado.

 

Grupo internacional fica com 30% da empresa

 Também esta quinta-feira a Mota-Engil anunciou um acordo de parceria estratégica e investimento com um grande grupo de infraestruturas, sem identificar, e que ficará com 30% após um aumento de capital.

Numa informação enviada à CMVM, o grupo indica que se encontra na fase final das negociações de um acordo de parceria estratégica e investimento “com um dos maiores grupos de infraestruturas do mundo, com uma atividade significativa a nível mundial”, sem divulgar o nome.

Em dezembro foi noticiado que a China Communications Construction Co (CCCC) estava a avaliar a compra de 30% da Mota-Engil, com o objetivo de expandir internacionalmente o seu negócio, segundo a agência Bloomberg. Questionado pela Lusa, o grupo recusou divulgar o nome do grupo com que se encontra em negociações