Economia

"O desemprego no Algarve vai disparar a partir de outubro"

O presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Elidérico Viegas, considera que ‘o turismo é um gigante económico, mas é um anão político’ e, por isso, entende que o setor tem grande dificuldade ‘em fazer valer os pontos de vista junto dos decisores governamentais’.

Alertou para os meses perdidos em julho e agosto. Os valores de ocupação sempre confirmaram essas perspetivas?
Confirmam-se as nossas expectativas. Agosto contou sobretudo com a procura do mercado interno e, embora as ocupações tenham sido superiores às verificadas em julho, vão ficar aquém face aquilo que é habitual, ou seja, de ocupações perto dos 100%. Ainda tivemos algum mercado externo, nomeadamente alemães e holandeses, que são mercados importantes, mas com quedas superiores a 50%.

Já disse que a decisão do Reino Unido de tirar Portugal da lista negra peca por ser tardia; ainda assim, vai conseguir minimizar as perdas?

Era uma decisão há muito esperada, mas peca por ser demasiado tardia, comprometeu os resultados sobretudo dos meses de julho e agosto, que são os meses de excelência do turismo da região . Vai contribuir, naturalmente, para um aumento da procura por parte do mercado britânico em setembro e em outubro, que são os dois meses que faltam para completar a chamada época turística, mas são meses mais fracos. Na hotelaria não há stocks, o quarto que não se aluga hoje amanhã não se aluga duas vezes. Os prejuízos acumulados mantém-se, não são recuperáveis. Vamos ter agora certamente mais gente, mais britânicos em setembro e em outubro, mas esta decisão abre sobretudo boas perspetivas para o setor turístico.

Em setembro e outubro também são praticados preços mais baixos...

São sem dúvida mais atrativos. E, acima de tudo, serve para potenciar gradualmente a procura, mesmo durante a estação baixa, para que depois, no início da época turística de 2021, possamos regressar a alguma normalidade, não em termos homólogos como tínhamos no passado, mas já numa perspetiva de termos restabelecido os canais de comercialização e distribuição tradicionais de modo a que possamos a ter um ano turístico mais sustentado.

Mas ainda longe dos recordes atingidos em anos anteriores?

Sim.

Quanto tempo vai demorar a recuperar a atingir aqueles valores?

Disse em março que a recuperação iria demorar entre três a quatro anos, o mercado turístico é um mercado muito sensível e reage a estas situações, pela positiva e pela negativa, de forma muito abrupta e muito rápida. Neste caso, teve uma reação à pandemia de queda abrupta, foi a primeira consequência. Também disse, na altura, que a recuperação, contrariamente ao que tinha acontecido no passado, iria demorar e que o turismo não seria o primeiro setor a recuperar, o que de facto veio a confirmar-se. Ainda continuam a existir uma série de fatores de incerteza que vão determinar a recuperação e que passa quer pelo comportamento do transporte aéreo – ainda não sabemos como é que vai evoluir o setor da aviação – e pelos mercados concorrentes – que ainda não sabemos como vão evoluir –, como é o caso da vizinha Espanha, quer pelo controlo da pandemia. Perante estas perspetivas, estamos dependentes de fatores externos que não controlamos, nem dominamos.

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