Cultura

Máscaras, gel e descontos na feira

Feiras do Livro de Lisboa e Porto realizam-se em simultâneo. Na capital a organização concedeu descontos no aluguer do espaços para atrair participantes.

Com máscaras obrigatórias, distanciamento social e muito gel desinfetante, as Feiras do Livro já abriram em Lisboa e no Porto, na expectativa de que as vendas no certame possam, se não compensar, pelo menos atenuar as perdas catastróficas dos últimos meses.Segundo a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), até ao final do ano os estragos provocados no setor pela pandemia deverão ascender aos 30-35 milhões de euros. Há, pois, que correr atrás do prejuízo.

Em Lisboa, a 90.ª edição, que até foi inaugurada pelo Presidente da República na passada quinta-feira, não poderá ser celebrada com a pompa que a data redonda exigia. Ainda assim, a APEL anunciou que a feira deste ano será a segunda mais ambiciosa de sempre: até 13 de setembro a alameda do Parque Eduardo VII recebe 310 pavilhões, com 638 editoras, chancelas e livrarias. Pela primeira vez, o recinto é delimitado por gradeamento, de modo a permitir o controlo das entradas. A capacidade máxima está limitada a 3300 visitantes. Como habitual, há um espaço de restauração com bancas de comes e bebes.

Face às circunstâncias singulares, e para favorecer a participação, a organização cortou em cerca de 30% o custo do aluguer dos espaços, que desce para aproximadamente dois mil euros por pavilhão, e concedeu facilidades no pagamento.

No Porto, a festa do livro instalou-se ontem nos jardins do Palácio de Cristal, onde permanecerá também até 13 de setembro. Apesar das dimensões mais modestas – 115 bancas – tem capacidade para 3.500 pessoas e conta com 15 livrarias independentes (contra as três presentes em Lisboa). Quanto ao mais, o programa das festas não difere muito:sessões de autógrafos, lançamentos, apresentações, hora do conto e atividades para famílias. Mas o prato forte, a principal atração, serão sempre os descontos, que começam nos 20%, nas novidades, e podem ir até aos 50% ou mesmo mais. Na Hora H (das 21h às 22h, de segunda a quinta-feira), os livros com mais de 18 meses ficam, na pior das hipóteses, a metade do preço. 

Esta é a primeira vez que as duas feiras se realizam em simultâneo.

Maior plataforma online

Entretanto, há outras novidades para os amantes de livros. Como avançou o jornal i na edição de quinta-feira, a RELI (Rede de Livreiros Independentes), que foi criada com o objetivo de proteger as pequenas livrarias de bairro ou de proximidade e que junta 76 membros, está a preparar a maior plataforma online de venda de livros em Portugal. Aí, será possível adquirir não apenas livros novos, mas também livros usados, manuseados ou até esgotados.
 

* Com Diogo Vaz Pinto