Economia

Gás de garrafa. ERSE alerta Concorrência para problemas

O regulador diz ser frequente os três maiores operadores - Galp, Rubis e Repsol - apresentarem preços alinhados, para certas tipologias de garrafas.

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) pediu à Autoridade da Concorrência (AdC) uma análise ao mercado de GPL engarrafado, por ter identificado margens de comercialização elevadas, “assentes em elevados níveis de concentração e em ganhos acumulados pelos operadores ao longo da cadeia de valor, tendo em conta a integração vertical que caracteriza este setor, bem como os demais vínculos empresariais”.

O regulador diz ser frequente os três maiores operadores - Galp, Rubis e Repsol - apresentarem preços alinhados, para certas tipologias de garrafas, traduzindo-se nas ofertas dos preços de venda ao público (PVP) mais elevados. Já os operadores com menores quotas de mercado e os novos entrantes, apresentam, para a generalidade das garrafas que comercializam, as ofertas comerciais mais competitivas, praticando margens inferiores.

O relatório revelou que o PVP do gás de garrafa se tem mantido estável entre 2018 e 2020, independentemente das alterações de preço nos mercados internacionais, o que só é possível em “contexto de margens elevadas”, que permite acomodar as variações das cotações internacionais.

As margens elevadas, observadas em todo o período em análise, atingiram "valores particularmente elevados" este ano, durante o estado de emergência, em contexto de pandemia de covid-19.

Naquele período, as margens atingiram cerca de 84%, 83% e 81% do PVP antes de impostos, nas garrafas de propano de 11 kg, de butano de 13 kg e de propano de 45 kg, respetivamente, em contraciclo com a evolução dos preços dos derivados nos mercados internacionais.

"Apenas com a fixação administrativa de preços máximos de venda, durante o período do estado de emergência, se verificou uma queda das margens médias de comercialização para valores em linha com a média verificada em 2018 e 2019", refere a ERSE.

Em Portugal, cerca de dois terços dos agregados familiares utilizam GPL, principalmente fora das zonas de distribuição de distribuição de gás natural, ou para aquecimento doméstico.