No meio de nós

O bicho não está em todo o lado!

Na verdade, o nosso primeiro-ministro disse há algum tempo uma coisa que todos sabemos: «Portugal não aguenta um novo confinamento!». Eu não tenho sequer a certeza que Portugal aguente o confinamento que tivemos durante aqueles dois meses.

Na próxima semana ou dentro de quinze dias começam as aulas. Vai ser bem… Vai ser muito bom… A circunstância que fez com que o mundo se confinasse não mudou. O vírus continua por aí à solta. O que mudou, isso sim, foi o conhecimento que temos sobre o bicho que anda por aí, bem como a capacidade de resposta no SNS.

Tudo isto são luxos que só nós podemos ter. Falei com um padre de Moçambique que me disse claramente que o Governo mandou confinar, mas as pessoas tinham de sair de casa para trabalhar, porque se não morressem do vírus haviam de morrer de fome. Também falei com dois jovens da Palestina que me dizem: «Não temos dinheiro para comer! Estamos sem nada!».

Seguramente que se continuasse a falar com todos meus amigos de todas as partes do globo iria ter reações diferentes ao surto do coronavírus.

Nós, por aqui, em Portugal, vamos avançando com o que podemos e como podemos com a máxima segurança, porque todos merecemos mais.

Na verdade, o nosso primeiro-ministro disse há algum tempo uma coisa que todos sabemos: «Portugal não aguenta um novo confinamento!». Eu não tenho sequer a certeza que Portugal aguente o confinamento que tivemos durante aqueles dois meses.

Penso que os próximos meses – outubro e novembro – serão meses muito difíceis para as famílias, para os empresários e para os investidores. As contas que não pagámos durante o estado de emergência vamos começar a pagar entretanto e aí é que veremos como nos encontramos.

Tudo está diferente. O mundo estará diferente, seguramente. Portugal não voltará à normalidade enquanto não tivermos mais conhecimento deste bicharoco que anda por aí…

Mas não sei o que hei de dizer acerca disto tudo. Às vezes penso que esta bicharoca maluca da covid-19 só ataca mesmo os católicos nas igrejas. Temos regras – e bem – que nos obrigam a termos os bancos selados, quatro pessoas por banco. Temos voluntários para arrumar as pessoas e fica imensa gente às portas e na rua a ouvir a missa – sim, ouvir, porque não veem nada!

Eu, por mim, ainda estou de férias. Fiz uma aventura. Vim até ao Algarve. Há trinta anos que não vinha cá. Conhecia pouco e mal o Algarve e fiquei apaixonado por tudo: o clima, a água, a praia, tudo…

Mas fiquei ainda mais apaixonado pelo Algarve, porque percebi que aqui a bicharoca do vírus não ataca ninguém… É uma bicharoca estranha, esta.

Ontem quis ir beber uma imperial… essa bebida maravilhosa que existe em quase todos os países civilizados, mas que em Portugal sabe melhor do que em todo o lado… mas o senhor da barraquinha da praia disse que tinha de meter a máscara e os chinelos para pedir uma imperial.

Eu pensei: «A sério!».

Isto é mesmo estranho. Estou há uma semana com a toalha em cima do vizinho de cima. Toda a gente numa amena cavaqueira a jogar à bola. A criançada e os seus pais a jogarem raquetes, felicíssimos da vida.

Agora chega um homenzinho que diz que eu tenho de meter uma máscara e uns chinelos num pequenino bar da praia? Mas isso é só para eu pedir uma imperial!!!! Eu só quero matar a sede!

Venho para trás e fico com uma secura ainda maior.

Estava a lembrar-me da noite anterior. Tinha ido a Albufeira. Eu nem queria acreditar. Havia gente que nascia por todo o lado. Bares e esplanadas cheias de gente e muitas pessoas que andavam da direita para a esquerda e da esquerda para a direita.

Eram milhares de estrangeiros! Sim… ingleses, holandeses, alemães e de todo o lado.

Fiquei a pensar… será que esta gente e estas autoridades acreditam mesmo que existe a bicharoca da covid-19? Pelo menos no Algarve não existe. Calça uns chinelos e mete uma máscara que te servem logo uma imperial.

Mas se vais à igreja terás de manter o distanciamento social...