Opinião

E se Costa tivesse um familiar no lar de Reguengos?

Como tudo em Portugal, ‘incha, desincha e passa’, António Costa rapidamente anuiu a falar com a Ordem para, em benefício de todos os que neste país precisam de médicos (muito mais do que destes políticos) apaziguar os ânimos. Mesmo assim, deu azo a um comunicado em que, segundo os representantes da Ordem, o clima de apaziguamento no interior não foi transmitido da mesma forma para o exterior.

Reguengos era uma das várias histórias tristes desta covid nacional. Um entre vários lares, onde tudo o que podia correr mal, correu mesmo muito mal. Não falo apenas do número de mortes, das subcondições que alegadamente se referem como existentes, mas do drama de existirem e da verdade pretender ser sonegada.

Estas situaçõss deveriam merecer reflexão da Sociedade e, sobretudo, serem denunciadas. Soubemos de um relatório independente da Ordem do Médicos e ao invés de rapidamente conhecermos as atuações corretivas, aquilo que fomos ouvindo, sobretudo das estruturas locais, foi um minguar de realidades.

Estávamos assim todos expectantes de averiguações a realizar quando António Costa, em tom claramente descontrolado, veio invetivar, em entrevista ao Expresso, a Ordem dos Médicos por ter realizado essa tal auditoria, afirmando exceder as suas competências. Afinal, o mais importante do trabalho efetuado era saber o seu conteúdo ou se a entidade teria competências delegadas para o fazer?

A resposta parece clara, exceto para António Costa – a sociedade exige saber estas realidades, nestes e noutros lares! Ao invés de pedir de imediato à Ordem outras auditorias similares, em prol da verdade social, as atenções foram inesperadamente enviesadas para o acessório em detrimento do essencial.

Pelo meio, um vídeo real, clandestinamente capturado, veio dar a este episódio contornos surreais, dado o epíteto de ‘cobardes’ com que médicos foram mimoseados por António Costa. Eu, que sou um aprendiz nestas matérias de entrevistas, diria que ‘off’s’ com jornalistas, só sobre temas como o tempo que faz ou, quanto muito, sobre futebol e, mesmo assim...

Como tudo em Portugal, ‘incha, desincha e passa’, António Costa rapidamente anuiu a falar com a Ordem para, em benefício de todos os que neste país precisam de médicos (muito mais do que destes políticos) apaziguar os ânimos. Mesmo assim, deu azo a um comunicado em que, segundo os representantes da Ordem, o clima de apaziguamento no interior não foi transmitido da mesma forma para o exterior.

Sobra para todos uma certeza: estas funções de auditoria a exercer pela Ordem, em lares de idosos ou em qualquer parte, são cruciais para o bem-estar da sociedade, particularmente para sabermos se os direitos dos mais velhos são respeitados e se as condições em que vivem se coadunam com os mais elementares direitos cívicos.

Tenho a certeza que o cidadão António Costa concorda com este meu desejo e certamente que se soubesse que algum familiar seu estaria sujeito a condições como as retratadas pela Ordem sobre o lar de Reguengos, não descansaria enquanto os responsáveis não fossem punidos. Jamais lhe passaria pela cabeça perguntar se a Ordem o poderia fazer ou cercear no futuro as liberdades de o poder fazer.

P.S. – Por via administrativa e alegadamente por incumprimentos com terceiros, o velhinho Vitória (Setúbal) desceu aos confins dos campeonatos nacionais. Mas será mesmo só o Vitória? Lemos que o Belenenses SAD também incumpriu com declarações fiscais e nada sucede? E não é também o caso do Desportivo das Aves? Qual o rigor da documentação obtida para a inscrição na Liga?