Sociedade

Covid-19 com tendência crescente. RT sobe para 1,16

Ministra da Saúde antecipa contexto complexo, mas assegura que país está melhor preparado. Segunda quinzena de setembro será nova prova.

Ainda antes da prova de fogo do regresso às aulas, estão a consolidar-se os sinais de aumento dos casos de covid-19 e a tendência da epidemia é agora de crescimento. Na conferência de imprensa desta quarta-feira a ministra da Saúde indicou que o RT nacional, o indicador que calcula a taxa de reprodução do vírus, subiu para 1,16, sendo que está acima de 1 desde o início de agosto. É o valor a nível nacional mais elevado dos últimos meses e quando começou o desconfinamento, em maio, situava-se abaixo de 1, ainda que em Lisboa se registassem mais casos do que atualmente. A região Norte e Centro têm registado os valores mais elevados, mas o RT tornou também a aumentar na região de Lisboa nas últimas duas semanas, quando voltou a estar acima de 1, o que significa de novo uma tendência crescente em Lisboa.

A análise diz respeito à semana passada, pelo que não reflete ainda esta primeira semana de setembro, em que mais portugueses regressaram ao trabalho. Na conferência de imprensa, a diretora-geral da Saúde alertou que na semana de 14 a 17 de setembro, quando vão começar as aulas, vai representar um momento de maior circulação de pessoas. E sublinhou que todas as medidas devem ser faseadas, afastando para já a ideia de ser retomado por exemplo público nos estádios nesta altura em que é preciso perceber o que vai acontecer com a ida de 1,2 milhões para as escolas, mais educadores e professores. “Vai haver uma movimentação de milhares e milhares de pessoas e uma alteração da epidemiologia da doença própria do inverno”. No que diz respeito às escolas, a ministra da Saúde adiantou que o documento com orientações para as escolas e serviços de saúde sobre como agir após a confirmação de casos em turmas ou na comunidade será divulgado nos próximos dias, sublinhando que a preocupação será interromper as aulas o mínimo possível e encerramentos também o mais localizados possível.

Antecipa-se no entanto um contexto complexo, admitiu Marta Temido, que considerou ser já evidente essa tendência. A ministra da Saúde assegurou que o país está agora melhor preparado quer em meios materiais quer em termos de organização, mas sublinhou que a prevenção, até haver vacina ou tratamento eficaz, vai depender de todos. “Os mais idosos são a nossa prioridade”, reiterou Marta Temido. A ministra da Saúde anunciou também a abertura de 950 vagas para a contratação de médicos para o SNS, 911 para os hospitais e os restantes para as equipas de saúde pública. O diploma publicado em Diário da República não identifica em que unidades são abertas as vagas, remetendo-as para um despacho próprio. A DGS ainda não apresentou o plano de contingência geral para o inverno, que esteve a ser preparado nas últimas semanas. A tutela já garantiu no entanto que serão reforçados meios humanos mas também a capacidade laboratorial para testagem e a resposta da saúde pública. Os lares passarão também a contar com equipas de intervenção rápida, no âmbito de uma parceria estabelecida com a Cruz Vermelha.

De acordo com o balanço feito ontem, existem agora 23 surtos ativos em lares, quatro na região Norte e os restantes da região de Lisboa e Vale do Tejo. Ao todo há 177 surtos ativos no país, de diferentes dimensões. Foi confirmado um foco de contágio na Maternidade Alfredo da Costa, onde ontem havia cinco profissionais de saúde infetados, dois enfermeiros e três assistentes operacionais.