Economia

Novo Banco. Comissão de trabalhadores pede audiências para assegurar futuro

Comissão de trabalhadores pede audiências desde Governo ao governador do BdP para assegurar futuro dos cinco mil trabalhadores.

A Comissão de Trabalhadores do Novo Banco pediu audiências aos partidos, ao Governo, ao Presidente da República e ao governador do Banco de Portugal, devido à preocupação com o futuro da instituição e dos cinco mil trabalhadores do banco. “O constante ruído proveniente das notícias e das diversas declarações está a minar a confiança dos clientes”, refere a estrutura que representa os trabalhadores, lembrando que os bancários da instituição financeira, ao longo dos últimos seis anos, têm estado a trabalhar “sob pressão constante”.

A comissão explica ter feito pedidos de audiência “face às constantes notícias e declarações” que têm sido feitas sobre “os mais diversos temas referentes” ao Novo Banco e que “estão a causar um grande mal-estar e uma grande preocupação” em relação ao futuro do banco.

Esta reação surge um dia depois do Bloco de Esquerda ter anunciado que o partido vai propor a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito ao banco liderado por António Ramalho para apurar todas as responsabilidades.

De acordo com Mariana Mortágua, o Novo Banco custou 8 mil milhões de euros ao Estado e aos contribuintes portugueses. “Não é uma brincadeira, não era inevitável e é preciso apurar responsabilidades. É por isso que o grupo parlamentar do BE decidiu avançar para uma comissão de inquérito. “Não aceitamos que este buraco no Novo Banco seja inevitável e tenha que ser pago com o dinheiro de todas e de todos os contribuintes portugueses. Procuraremos transparência, procuraremos encontrar as decisões que poderiam ter sido evitadas e também os seus responsáveis”, revelou em conferência de imprensa. 

Também esta quarta-feira, o presidente executivo do Novo Banco, disse que tinha terminado “o ciclo do silêncio” para arrancar “um ciclo do esclarecimento”. 

António Ramalho considerou que nos últimos três meses o Novo Banco recebeu um “conjunto de críticas sem precedentes” e que se manteve “silencioso dentro do limite das suas possibilidades” porque estava a decorrer a auditoria e lembrou que 95% das perdas referidas no documento devem-se a ativos anteriores a 2014, ou seja, que pertenciam ao BES e passaram para o Novo Banco na resolução.

Em causa está a auditoria da Deloitte que aponta para perdas de 4042 milhões de euros para a instituição financeira entre 4 de agosto de 2014 (um dia após a resolução do BES) e 31 de dezembro de 2018, ou seja, prejuízos que envolvem as várias administrações do banco.