Politica

Ramalho Eanes: "É inaceitável os governos desculparem-se com a imprevisibilidade"

Antigo Presidente da República dá conferência sobre o dever  de prever o politicamente «imprevisível».

«’Pestes’ e outras imprevisibilidades: O dever funcional do Estado, das instituições internacionais especializadas e da Sociedade Civil de prever o politicamente ‘imprevisível’». É este o mote de uma intervenção de Ramalho Eanes agendada para a próxima sexta-feira, 11 de setembro, no encerramento do 1.º Fórum da Revista Portuguesa de Cardiologia.

Convidado a refletir sobre a ideia de que, no contexto da pandemia por covid-19, «não é possível prever o imprevisível», o antigo Presidente da República vem agora à liça contestar a tese, defendendo que, se é verdade que não se pode prever e conhecer o imprevisível, verdade é, também, que se pode – e deve – prever a sua eventualidade e, para lhe responder, estabelecer estratégias de resposta e dotar-se dos meios mínimos para as desenvolver.

Numa nota às redações, António e Manuela Ramalho Eanes adiantaram esta semana alguns dos pontos de vista que são ser apresentados na conferência da próxima semana, que vai decorrer entre as 8h30 e as 17h na Casa do Coração (Campo Grande, 28 – 13º, em Lisboa), com apenas lugar presencial para dez pessoas mas transmissão online.

O antigo Presidente da República considera que deveria ser «inaceitável, para as Sociedades Civis, esta afirmação a que quase todos os governos, em todo o mundo, recorreram para justificar o injustificável: a sua incapacidade de resposta, concertação estratégica ao surto pandémico inicial e sua rápida globalização».

Ramalho Eanes defende ainda que a humanidade devia retirar lições da presente pandemia que lhe servissem para melhor responder, estrategicamente, a futuras novas crises pandémicas, imprevisíveis, mas seguras.

A conferência de abertura será proferida por António Bagão Félix.

Apesar de ser uma ameaça para a qual alertavam os peritos, a pandemia de covid-19 deixou em sobressalto a maioria dos países logo nos primeiros meses.

Donald Trump foi dos primeiros chefes de Estado a classificar a pandemia de imprevisível, o que levou à resposta com os alertas que feitos no passado. Um dos mais citados nas primeiras semanas de epidemia foi uma TED Talk de Bill Gates em 2015: «A próxima epidemia? Não estamos preparados’.

Portugal, como outros países, precisou de reforçar em tempo recorde a Reserva Nacional Estratégica com equipamentos de proteção individual e de comprar centenas de ventiladores, que só chegariam em maio.