Economia

Primeiro semestre menos bom para a EDP

Lucros caíram 22% no primeiro semestre e atingiram os 315 milhões de euros. Mas negócio em território nacional voltou a dar prejuízos de 32 milhões de euros.

Já sob a nova liderança de Miguel Stilwell d’Andrade – que assumiu as rédeas da empresa em julho, depois da decisão do juiz Carlos Alexandre de suspender António Mexia das funções na empresa –, a EDP viu os seus lucros caírem 22% no primeiro semestre do ano. Ainda assim, os lucros da elétrica atingiram os 315 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, apesar do negócio em Portugal ter voltado a dar prejuízos de 32 milhões de euros.

A queda dos resultados líquidos é explicada pela «forte redução de consumo de eletricidade nos seus principais mercados, sobretudo durante os períodos de confinamento impostos para combater a propagação da pandemia Covid-19, que coincidiram com a maior parte do segundo trimestre», de acordo com a informação enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), sendo que «o volume de eletricidade comercializada na Península Ibérica baixou 7% e o consumo de eletricidade de clientes das distribuidoras no Brasil caiu 8%».

O EBITDA — lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações — cedeu 3% para 1.872 milhões de euros, refletindo ainda «o efeito adverso da taxa de câmbio (-57 milhões de euros devido à depreciação de 20% do real face ao euro)». A dívida líquida aumentou 2%, situando-se em 14,1 mil milhões de euros no final de junho.

Além do efeito da pandemia no consumo de eletricidade, a antecipação do encerramento das centrais a carvão de Sines para 2021 — devido à «deterioração das condições de mercado Ibérico de eletricidade neste segundo trimestre, nomeadamente a redução da procura e o aumento do custo das licenças de emissão de CO2» — também pesaram nas contas. O custo extraordinário de antecipar o fecho de Sines é de 130 milhões de euros.

Negócios mexem com nova liderança

Miguel Stilwell d’Andrade, menos de dez dias depois de assumir a liderança da EDP, anunciou várias medidas que já tinham vindo a ser avançadas pela anterior administração. É o caso do encerramento antecipado das centrais a carvão na Península Ibérica, a compra da espanhola Viesgo e o anúncio de aumento de capital da elétrica em mil milhões.

O aumento de capital de 1,02 mil milhões foi concluído a 8 de agosto. A operação foi lançada a  15 de julho para ajudar a empresa a comprar a espanhola Viesgo sem aumentar o nível de endividamento. A procura superou a oferta em 256%, revelou em comunicado à CMVM.

Recorde-se que a compra da empresa espanhola está avaliada em 2,7 mil milhões de euros, incluindo 1,1 mil milhões de dívida. No mesmo dia, a empresa portuguesa apresentou uma operação de aumento de capital de 1,02 mil milhões de euros, através da venda de 309,14 milhões de ações, para ajudar a financiar a operação sem se endividar mais.

Os dois maiores acionistas da EDP, a China Three Gorges e a espanhola Oppidum, acompanharam o aumento de capital, tal como estava previsto.  A China Three Gorges, maior acionista da EDP com 21,37%, anunciou que pagou 220 milhões de euros para comprar mais de 66 milhões de ações da elétrica portuguesa, de forma a acompanhar o aumento de capital.

Também a espanhola Oppidum, segunda maior acionista com 7,19%, anunciou que investiu mais de 70 milhões de euros no aumento de capital da elétrica.

Já o pontapé de saída para encerrar três centrais a carvão, a de Sines, a de Aboño e a de Soto Ribera 3, foi dado com a primeira. Segundo a empresa liderada por Miguel Stilwell d’Andrade, esta decisão está enquadrada na estratégia de descarbonização do grupo EDP e «foi tomada num contexto em que a produção de energia depende cada vez mais de fontes renováveis». «Com o crescente aumento dos custos da produção a carvão, aliado a um agravamento da carga fiscal, e com a maior competitividade do gás natural, as perspetivas de viabilidade das centrais a carvão diminuíram drasticamente», acrescentou a empresa.

Lucro da Renováveis desliza

Também os lucros da EDP Renováveis caíram 26% no primeiro semestre para 255 milhões de euros. Os interesses não controláveis no período totalizaram 76 milhões de euros, diminuindo em ‐14 milhões de euros face ao 1.º semestre de 2019 como resultado dos ativos vendidos. 

O EBITDA desceu 18% para 793 milhões de euros, face aos 965 milhões de euros registados no mesmo período do ano anterior. Também as receitas diminuíram para 913 milhões de euros, menos 9% do que no semestre homólogo.