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Costa já só pensa no Orçamento de Estado 2021. Exprimindo bem clarinho que a única saída é uma ‘geringonça 2’ numa sequência natural da anterior...

Chegámos a setembro de 2020. As aulas vão finalmente começar, este fim de semana há a contestada festa do Avante!, foi finalmente conhecido o relatório sobre o Novo Banco e o futebol movimenta-se para recomeçar, exigindo ter público. Nos entretantos, um recrudescimento nos casos de covid que pregaram enorme susto ao turismo nacional dados os impactos nos corredores aéreos. 

Mas perante este cardápio de assuntos, Costa já está bem mais à frente e só pensa no Orçamento de Estado 2021. Exprimindo bem clarinho que a única saída é uma ‘geringonça 2’ numa sequência natural da anterior, encostou às cordas o Bloco e PCP para um acordo que por enquanto nem se vislumbra, dando azo a comentários secos de Catarina Martins sobre estes métodos pressionantes. De Jerónimo, nem resposta obteve – veremos se o fará no discurso de encerramento da Festa do Avante!.

Costa sabe que o caminho a percorrer é muito difícil. Siza Vieira, na recente Conferência Nacional do PS, foi bem claro, ao referir que (i) vêm aí graves dificuldades às empresas e muitas não irão sobreviver, (ii) o desemprego irá aumentar e (iii) irá existir um acréscimo da conflitualidade social. Com este cenário e com a Presidência da União Europeia em janeiro de 2021, Costa precisa de acalmia na política para aprovar o OGE 2021 e quer claramente casar com o Bloco, que acredita ser bem mais flexível que o PCP que tão bem conhece.

Veremos como o Bloco acabará por responder. Se viabilizar o Governo, mesmo com este a fazer concessões nas leis laborais, torna-se um partido do arco governativo e deixará de ser percecionado como de contestação. Como muitos dos seus votos são de protesto, esta integração poder-lhe-á ser fatal, diminuindo a representatividade futura. Uma coisa é certa: Costa irá prosseguir na sua estratégia de fazer a corte a Catarina, acreditando que o aproximar do poder seja suficientemente sedutor para o Bloco.

 

2. Até já parece longínquo o recente raspanete público de Marcelo a Graça Freitas. Todos exigem a sua demissão, mas esta Senhora, coitada, lá vai arrostando a cruz que lhe meteram às costas, continuando a aparecer, sempre com bonomia, nas desgastantes conferências de imprensa com que a DGS e o Ministério da Saúde vão entretendo os portugueses que já só perguntam "quantos são hoje?".

Entre alguns dizeres infelizes como os das ‘cadeiras sem pernas’ relativamente aos lugares sentados na Festa do Avante que só se compreendem pelo cansaço de tantos meses a “dar a cara”, a verdade é que Graça Freitas merece profundo respeito – assume a posição que lhe foi confiada com galhardia e sentido do dever! Garanto que é preciso muita, mas muita, coragem para continuar, sempre com um espírito louvável de servir ‘a causa pública’. Tem errado? Muitas vezes, talvez demasiadas – mas quero aqui deixar a minha homenagem a esta Senhora!

 

3. Tiago Brandão Rodrigues tem o mérito de ter metido a funcionar o ano letivo, a tempo e horas. Com regras da DGS a observar, sem dúvida que cumpriu com os objetivos que a sociedade lhe exige de começarem as aulas. Para já encostou à parede Mário Nogueira, da Fenprof (irá à Festa do Avante!?) que ameaça com greves ao início das aulas, altamente preocupado com os riscos de contágio dos professores.

Tão amigos que eram e tanto que hoje os separa. Obviamente que o tema da covid preocupa todos no universo escolar - pais, alunos, professores e funcionários – mas os custos de não ter aulas serão a prazo muito maiores para a Sociedade. O ótimo é inimigo do bom e a mim confunde-me que nestes momentos de necessidade de união perante a adversidade, Mário Nogueira levante problemas em vez de soluções. A Economia carece de ter os pais a trabalhar e, para tal, estes precisam de ter os filhos na Escola. Ou seja, todos precisamos de soluções escolares e, desta vez, espero que Tiago Brandão Rodrigues consiga ter sucesso porque o seu trabalho bem o merece.

 

4. Depois de um Verão a menos de meio gás, o Turismo nacional que viu há duas semanas o nosso país reentrar nos corredores aéreos com as consequentes subidas de reservas, apanhou um tremendo susto com o incremento de casos da covid. Vá lá que a semana até acabou bem com o veredicto semanal inglês a caucionar a manutenção de Portugal nos citados corredores.

Vimos nas televisões as alegrias de quem sobretudo sofre com estas decisões e a sua felicidade também nos contagiou. Mas o Governo e os partidos políticos que o apoiam têm de assimilar que notícias na imprensa internacional sobre a realização da Festa do Avante! (que deveria ter exclusivamente cariz político) nada ajudam à confiança que o Turismo nacional precisa. Porque, a continuarmos assim, arriscamos perder a confiança internacional e qualquer recuperação posterior exigirá o dobro dos esforços sem garantias de resultados.