Internacional

A lenta resposta europeia à tragédia no campo de Moria

Angela Merkel admitiu os falhanços da política migratória europeia, enquanto deputados do seu partido pediam para receber mais refugiados.

“Não podemos estar satisfeitos com a política de emigração europeia”, admitiu esta quinta-feira Angela Merkel, face aos devastadores incêndios no campo de Moria, na ilha de Lesbos, onde mais de 12 mil refugiados – 55% dos quais mulheres e crianças, segundo os Médicos sem Fronteiras (MSF) – viviam em condições desumanas. Agora, deram por si a dormir à beira da estada, com apenas umas 400 crianças e adolescentes a serem retiradas para a Grécia continental. Os fogos continuaram na quinta-feira, destruindo o que restava do campo de refugiados, o maior da Europa, que fora desenhado para receber não mais de 3 mil pessoas. Exatamente o mesmo número de pessoas que vão ficar temporariamente alojados nos navios enviados ontem para a ilha pela Grécia.

A admissão de culpa da chanceler surgiu quanto esta, juntamente com o Presidente Emmanuel Macron, aceitou um acordo que permitirá a 400 menores não acompanhados ser levados para outras partes da União Europeia. Merkel assegurou que é apenas “o primeiro passo”, e a Holanda já se voluntariou para receber 100 crianças e as suas famílias. É apenas uma pequena parte dos refugiados – vários deputados do partido de Merkel exigiram que fossem recebidos 5 mil, segundo o Der Spiegel. Mesmo assim, a decisão já foi condenada pelo partido de extrema-direita alemão Alternativa para a Alemanha (AfD). “Temos de muito rapidamente reconstruir o campo de refugiados”, apelou Beatrix von Storch, número dois da AfD, à DW.

 Antes do incêndio, a tensão já era elevada no apinhado campo de Moria, que após algumas dezenas de casos positivos de covid-19 foram sujeitos a uma “cruel quarentena”, confinados atrás de arame farpado e mantidos em condições pouco higiénicas, avisaram os Médicos sem Fronteiras, há umas semanas. “A única coisa que eu podia fazer para ajudar o meu filho era levá-lo a caminhar, ou a tomar banho no mar. Agora estamos presos”, disse na altura à MSF, Mohtar, pai de uma criança tratada na clínica de saúde mental pediátrica da organização. O incêndio terá começado quando refugiados, desesperados, acenderam pequenos fogos, em protesto por terem ficado sem acesso ao único multibanco que servia o campo, contaram testemunhas à Business Insider, na quinta-feira. Acidentalmente, os fogos saíram de controlo e destruíram todo o campo.