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Covid-19, terceira fase: o inverno, as escolas e os lares

Depois do confinamento e do Estado de Emergência, depois do gradual desconfinamento e gradual retoma de algumas atividades, depois do verão e das férias, depois da subida e descida dos casos de covid-19 em Portugal (e no mundo), agora inicia-se uma nova etapa.

O recomeço das aulas nas escolas e o regresso ao trabalho, conjugados com o outono (e depois o inverno) e com alguma saturação das medidas de prevenção constituem uma fase nova para a qual importa ser capaz de responder para conseguir evitar uma situação mais grave que o anterior pico da pandemia.

1. As férias corresponderam a elevadas concentrações de pessoas nas praias, nos cafés e restaurantes das zonas balneares e em festas ou reuniões informais. O verão correspondeu a um período de algum desleixo nas recomendações de distanciamento e, talvez também por isso, o número de novos casos aumentou, particularmente nos escalões etários mais jovens.

2. A festa do Avante! acabou por se realizar, apesar de muitas críticas (não só dos partidos, mas também da população da zona do evento). É verdade que foram cumpridas as regras impostas pela DGS. Tal não surpreende dada a reconhecida capacidade organizativa do partido e disciplina dos seus militantes.

Mas a festa do Avante! foi um péssimo exemplo para a sociedade. Os partidos têm o dever de darem bons exemplos e a teimosia na realização da festa foi um desrespeito para os cidadãos que têm cumprido um vasto conjunto de restrições que mudaram a sua vida. O PCP também se devia ter contido.

3. Os lares de idosos têm sido um dos principais focos de infeção por covid-19. As medidas tomadas mostram-se insuficientes e importa intervir de modo a garantir a segurança de uma população confinada e particularmente vulnerável.

Importa assegurar um maior rigor nas medidas de prevenção com todos os profissionais que contactam com os lares e garantir que todos têm as condições adequadas ou encontrar instalações alternativas. Os idosos merecem maior atenção.

4. O início do ano letivo constitui a principal alteração da vida comunitária depois do confinamento. Serão milhões de crianças e jovens, pais, professores e outros profissionais das escolas que se deslocarão em transportes públicos e que e que contactarão diariamente em espaços fechados. O risco é elevado, mas inevitável pois as escolas têm de funcionar.

Impõe-se minimizar os riscos de contágio e transmitir confiança. As medidas aplicadas às escolas foram anunciadas tardiamente e nem todos os recursos (nomeadamente informáticos) foram disponibilizados conforme foi prometido.

Faltam soluções de transportes adequados para diminuir a sobrelotação dos transportes públicos e, infelizmente, o procedimento de testagem generalizada (de que a Câmara de Cascais é exemplo) não foi adotada. As autarquias podem e devem desempenhar um papel mais ativo nestas questões.

5. Notas finais: A aproximação do Inverno significa uma maior pressão sobre o SNS. Importa evitar sobrecarregar os hospitais. A prevenção com o cumprimento de regras de segurança tem de ser reforçada com uma maior fiscalização. A testagem recorrente e massiva da população (incluindo assintomáticos e contactos secundários) deve ser implementada. A utilização da aplicação Stayway Covid deve ser incentivada pois pode ser o método mais eficaz para o rastreio precoce de contágios. A utilização obrigatória de máscara no espaço público, especialmente em zonas de maior concentração de pessoas, deve ser aplicada.

A vacina ainda demorará a chegar. Até lá, não podemos deixar de viver, mas em segurança. Não é um tempo normal.