Economia

EuroBic. José Azevedo Pereira como CEO votado hoje pelos acionistas

Teixeira dos Santos está assim de saída, depois da polémica de ter transferido a sua poupança para o Santander, tal como avançou o SOL.

O nome de José Azevedo Pereira, ex-diretor-geral da Autoridade Tributária, vai esta segunda-feira ser votado pelos acionistas do EuroBic para o cargo de CEO, substituindo assim Fernando Teixeira dos Santos, cujo mandato já tinha terminado no final do ano passado.

Tal como o SOL já tinha avançado, no início de agosto, o Banco de Portugal estava à espera que fosse apresentada a lista dos novos órgãos sociais e tinha feito pressão para conhecer a nova estrutura. 

Esta necessidade ganhou novos contornos depois de o SOL ter revelado que, dias depois de ter rebentado o escândalo que ficou conhecido como Luanda Leaks – e que colocou Isabel dos Santos, Sindika Dokolo e alguns dos seus colaboradores mais próximos sob a mira da justiça de Angola e de Portugal –, Teixeira dos Santos ordenou transferências de centenas de milhares de euros da sua conta daquele banco para uma outra conta de que é titular no Banco Santander.
Fonte oficiosa próxima de Fernando Teixeira dos Santos confirmou ao SOL a existência de uma operação de transferência para o Santander no intervalo de dias com que foi confrontada: “Entre o final de janeiro e o início de fevereiro”. E justificou-a com a compra e venda de um imóvel no Porto. Ao mesmo tempo, afastou qualquer efeito de “contágio” ou outras operações de transferências de depósitos de outros administradores, diretores ou gestores de conta do banco, afirmando que os rácios exigidos pelo Banco de Portugal nunca estiveram em risco. 

 

Nova administração

A comissão executiva da instituição financeira é ainda composta por José Antunes e Manuel da Luz, que transitam para a nova equipa, Susana Nereu Ribeiro (atualmente presidente do conselho fiscal, órgão que será extinto para dar lugar à comissão de auditoria) e Filipe Dias Meneses. 

 Pedro Maia irá ser designado chairman, substituindo Diogo Barrote que, tal como o i avançou, renunciou ao cargo a 21 de agosto, alegando “motivos pessoais” e com “efeitos imediatos”. Na carta a que o i teve acesso, disse ainda que não está “disponível para corresponder ao convite que [lhe] foi endereçado pelo Comité de Nomeações e Remunerações, em representação dos acionistas, para integrar o conselho de administração para o mandato de 2020–2022”. 

O conselho de administração vai ainda contar com José Antunes, Manuel da Luz, Susana Ribeiro, Filipe Meneses, Plácido dos Inocentes, Francisco Pinto, Ilídio Lopes e Célia Custódio. Francisco Constantino Pinto presidirá ainda ao comité de nomeações e remunerações.

Para a assembleia-geral, os nomes propostos são Alberto Teles (presidente), Luís Neves (vice-presidente) e Ana Neves (secretária-geral). Alberto Teles é atualmente vice-presidente da assembleia, ocupando funções de presidente interinamente depois da saída de Jorge Brito Pereira, advogado de Isabel dos Santos, em fevereiro. A Deloitte mantém-se como revisor de contas.

Recorde-se que o EuroBic apresentou em junho os resultados dos primeiros quatro meses do ano com lucros de cinco milhões de euros, afirmando que já “reflete o impacto da covid-19”, com uma desvalorização da carteira de investimentos em cinco milhões de euros, o que disse que “anulou, em grande medida, os proveitos líquidos de 7,5 milhões de euros reconhecidos neste período pela redução de responsabilidade com benefícios de longo prazo decorrente da renegociação do acordo de empresa”.