Politica

Benfica provoca choque entre “Chicão” e líder parlamentar

Rodrigues dos Santos critica Costa e defende que políticos não devem estar ligados ao futebol. Telmo Correia integra comissão de honra de Vieira.

Francisco Rodrigues dos Santos criticou o primeiro-ministro por integrar a comissão de honra da recandidatura de Luís Filipe Vieira. O presidente do CDS considera que “os deveres éticos e morais” devem impedir que qualquer político com um papel relevante apareça ligado ao presidente de um clube de futebol.

A posição assumida por Rodrigues dos Santos causou incómodo no CDS porque Telmo Correia, líder parlamentar dos centristas, também pertence à comissão de honra da candidatura de Luís Filipe Vieira.

O líder do CDS não podia ser mais claro na posição que assumiu ao condenar os políticos com ligações ao futebol. “São precisamente os deveres éticos e morais, que encaro como tão ou mais relevantes do que a letra da lei, que devem orientar a decisão de não associação direta de um primeiro-ministro – ou de qualquer outro político com papel de relevo na nossa democracia – a um presidente de um clube de futebol”, afirma Francisco Rodrigues dos Santos.

O presidente do CDS começa por lembrar que quando decidiu candidatar-se à liderança demitiu-se de “todas as funções que ocupava” na direção do Sporting.

Francisco Rodrigues dos Santos entende que o apoio dado pelo primeiro-ministro a um presidente de um clube de futebol “tem que ver com a vida de todos nós” e “normalizar isto é dar oxigénio à fogueira que vai queimando a confiança no Estado de Direito Democrático”.

A posição do líder do partido foi publicada nas redes sociais e não faltaram comentários de militantes a apoiar. O ex-deputado centrista Raul Almeida defendeu que “a situação de António Costa, dadas as circunstâncias da relação entre o Estado e o Benfica, é absolutamente insustentável e lesa a credibilidade que se exige a quem governa”.

Diferente é a posição do líder parlamentar do CDS. Telmo Correia defendeu, em declarações à Antena 1, que “isto não tem nada a ver com política”.

Para o deputado do CDS, “não há nenhum impedimento legal ou outros” que impeçam o primeiro-ministro de pertencer à comissão de honra de Luís Filipe Vieira e muitas das críticas feitas ao primeiro-ministro são “hipócritas” e “populistas”.

António Costa tem sido muito criticado por pertencer á comissão de honra de Luís Filipe Vieira, principalmente devido ao envolvimento do clube e do seu presidente em vários casos de justiça. Rui Rio lamentou “a mistura entre a política e o futebol profissional” e lembrou que “até há problemas de ordem judicial metidos nisso”.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, também defendeu que a “cumplicidade entre a política e os negócios não pode ser aceite no país”. Já o deputado do PAN, André Silva, entende que “todas estas situações de ligação próxima da política ao futebol não são admissíveis do ponto de vista ético, porque abrem a porta a que o amor ao clube se possa sobrepor ao compromisso para com o interesse público”.