Sociedade

Frases polémicas sobre precários na RTP indignam trabalhadores

Em causa estão frases de Francisco Seixas da Costa e Teresa Paixão em defesa de Cândida Pinto.

Os precários da RTP enviaram cartas abertas aos membros do conselho geral independente (CGI) da RTP e também à diretora da RTP2, Teresa Paixão. Na carta enviada ao CGI, os trabalhadores fazem duras críticas às palavras de Francisco Seixas da Costa numa publicação no Facebook que consideram ter-lhes sido dirigidas: “A competência suscita sempre forte inveja à mediocridade. Um abraço solidário à Cândida Pinto de um utente do serviço público de televisão”.

“Cabe-nos dar-lhe conhecimento que nenhuma Cândida Pinto, profissional a quem reconhecemos um enorme talento e capacidade de trabalho, conseguiria o tanto que já alcançou sem a ‘mediocridade’ dos precários, pois é deles que há muito vive a RTP”, avançam os precários na carta enviada ao CGI, à qual o i teve acesso. “Mais, o estatuto e mérito alcançados pela jornalista Cândida Pinto não só não nos provoca qualquer inveja como nos enche de orgulho! O nosso enorme agradecimento pelo contributo que tem dado ao jornalismo e sociedade portugueses”, descrevem na mesma nota.

No final da carta dizem os precários que “os alegados ‘medíocres’ trabalharam sempre em regime de quase exclusividade à RTP numa fidelidade cega e, quando tentam regularizar a sua situação laboral, ao abrigo da Lei, essa fidelidade é apontada como um fator negativo por aqueles que a deveriam ter acima de tudo e que nada mais fazem do que ir contra os estatutos do órgão que os elegeram”.

Já na carta que foi enviada à diretora da RTP2, os precários questionam uma frase que terá sido dita pela própria: “Também não sou meritocrata, defendo, com veemência, que até os incompetentes têm direito ao trabalho e a uma vida digna, mas, ainda assim, uma pessoa competente, que já deu muitas provas, parece-me que deve estar na mira da RTP para se juntar ao seu corpo de profissionais”. A frase não caiu bem junto dos profissionais precários da RTP. “Estas suas ‘eloquentes’ palavras, deixam-nos pensativos e intrigados no que à gestão de recursos humanos diz respeito, pelo facto de não entendermos que uma empresa que requer, aceita e precisa, diariamente, dos precários (enquanto precários) é a mesma que sobranceiramente os despreza quando estes tentam regularizar a sua situação laboral recorrendo à lei”, lê-se na carta enviada a Teresa Paixão e a que o i teve acesso. Os precários colocam várias questões à diretora em questão: “A RTP (2) é feita por muitos precários. Seremos todos incompetentes? Só há uma iluminada? Já vislumbrou o que seria da RTP se estes ‘incompetentes’ não se apresentassem ao serviço um dia apenas?”

Na nota de imprensa enviada à comunicação social, os precários dizem que não podem aceitar este género de situações. “[Como] não podemos deixar que estes dois senhores nos alcunhem e nos pisem como se nem de gente se tratasse, manifestámos  [...] a nossa indignação e discordância relativamente a algumas frases que ambos escreveram sobre os precários da RTP inscritos no PREVPAP, na sequência da eventual integração da jornalista Cândida Pinto, desvalorizando o nosso profissionalismo”, lê-se na nota escrita pelos precários da estação pública.

“Consideramos inaceitável que profissionais com cargos de tamanha responsabilidade se permitam classificar, desvalorizando, os colaboradores precários da RTP, que sempre com profissionalismo, zelo e diligência têm desempenhado as suas funções”, acrescentam.