Politica

Rentrée. "O CDS é o travão ao Bloco Central"

No encerramento da escola de quadros da JP, líder centrista também lembrou que“menos CDS é mais populismos, menos responsabilidade”

A tradicional escola de quadros da JP não se realizou este ano em Peniche, mas em Oliveira do Bairro, câmara que está nas mãos do CDS-PP. Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do partido, subiu ao palco pela hora de almoço para marcar as diferenças do partido face ao PSD, mas também ao Chega (quando falou de populismos). E elencou os objetivos eleitorais do CDS: ser a terceira força eleitoral nos Açores e reforçar o espaço centrista nas autárquicas de 2021.

Do ponto de vista político, Francisco Rodrigues dos Santos começou por assinalar este domingo a responsabilidade do CDS e da JP em organização de eventos, tendo em conta a pandemia da covid-19. Os centristas, lembrou, não promovem iniciativas supertransmissoras do vírus. Mais, “isto não é um ajuntamento da Quinta da Atalaia”, afirmou Chicão, como também é conhecido no partido, citado pela RTP3, em direto. A referência ainda era para a Festa do Avante! do início de setembro.

Depois vieram os recados políticos numa ótica ideológica: “O CDS é o travão ao Bloco Central”, para resgatar o país do bloco de interesses. A mensagem era para o PSD e servia de crítica tradicional aos dois maiores partidos, contra o discurso do voto útil. Mais à frente veio a avaliação a pensar também no atual espetro político da direita. O CDS tem vindo a perder terreno nas sondagens e o registo do seu presidente foi, em jeito de slogan, para marcar as diferenças. “Menos CDS é mais populismo, menos responsabilidade”, atirou Francisco Rodrigues dos Santos. Mais, “se não nos encarregarmos de escrever a história da direita em Portugal, outros o farão por nós”, avisou o presidente centrista, tentando mobilizar as bases para os próximos combates eleitorais, e  falando ao coração dos 40 mil militantes, apelidando-os de embaixadores do partido.

Na sua intervenção, Francisco Rodrigues dos Santos lembrou que o CDS “quer ser útil a Portugal e aos portugueses, pretende pensar o país à direita, dispensando estas histerias de nichos à volta do radicalismo e do extremismo e quer apresentar boas soluções e boas respostas para Portugal a curto, médio e longo prazo”. Ou seja, mais um recado para o Chega de André Ventura, sem nunca o nomear.

Num registo para dentro do CDS, o presidente democrata-cristão  disse que pretende “um novo partido popular, novo porque precisa de novos protagonistas e de uma renovação, novo sem a sombra dos equívocos do passado, novo capaz de renovar a sua marca e a sua identidade”.

Esta referência não será alheia a algumas críticas públicas de antigos dirigentes como Pires de Lima.

A nível eleitoral, o líder do partido considerou as regionais dos Açores de 25 de outubro, uma prova de vida e insistiu na ideia de o CDS ser a terceira força política naquele arquipélago: “Um voto no CDS nos Açores significa um voto no único partido que consegue tirar a maioria absoluta ao PS”, apelou Francisco Rodrigues dos Santos. E o resultado eleitoral dos Açores pode ser o embalo que os centristas precisam.

O CDS voltou a criticar o Governo e Francisco Rodrigues dos Santos chamou a ministra da Saúde de ministra da “insensibilidade social”. Por fim, o CDS anunciou que irá propor, em sede de Orçamento do Estado para 2021, um vale farmácia para os idosos:  “O Estado não pode continuar de braços cruzados quando muitos idosos têm de escolher entre comprar um medicamento ou comprar um pão para comer”, defendeu o líder centrista.