Economia

Lagarde. Economia da zona euro precisa de mais estímulos face à incerteza

Presidente do BCE lembrou que programa de estímulos ajudou a estabilizar os mercados e protegeram a oferta de crédito.

Para a presidente do Banco Central Europeu (BCE) não há dúvidas: a economia da zona euro vai continua a necessitar de apoio dos estímulos orçamentais e monetários, enquanto se mantiver este período de incerteza. A garantia foi dada por Christine Lagarde, num discurso na Assembleia Parlamentar franco-alemã, ao afirmar que “a incerteza quanto ao ambiente atual requer uma avaliação muito cuidadosa sobre as informações e dados recolhidos, incluindo com a variação da taxa cambial, no que diz respeito à sua implicação nas perspetivas da inflação a médio prazo”.

No entanto, referiu que, nos últimos seis meses, “o BCE não foi a única alternativa”. “As nossas medidas foram complementadas com respostas orçamentais enérgicas a nível nacional e europeu. Este foi um fator importante para aliviar o impacto da pandemia no mercado laboral e nos empréstimos bancários”. 

De acordo com Lagarde, “a economia continua a necessitar desse apoio para que a recuperação económica continue e se fortaleça mais”, mas lembrou que a “Europa foi reforçada durante esta crise, no entanto, defende que “é preciso aprofundar essa união”. E foi mais longe: “Necessitamos de completar finalmente a união bancária e criar uma união dos mercados de capitais genuína”. 

A presidente do BCE chamou ainda a atenção que os estímulos atuais da instituição, incluindo o pacote de 1,35 biliões de euros criado para a pandemia (PEPP), “estabilizaram os mercados, protegeram a oferta de crédito e suportaram a recuperação” e podem agora ajudar a inflação da região a subir para a meta de perto, mas sensivelmente abaixo dos 2%, algo que não tem sido conseguido.
 
Revisão dos programas

O BCE poderá fazer uma revisão aos seus programas atuais de compra de ativos no próximo mês. As mudanças poderão passar por uma extensão do prazo referente ao programa de compras pandémico e injetar mais flexibilidade aos restantes programas em vigor antes do programa de compra de ativos de emergência (PEPP). 

Ainda na semana passada, o BCE  deixou as suas taxas de juro inalteradas, com a principal taxa de juro de refinanciamento em 0% e a taxa aplicada aos depósitos em -0,50%. A taxa de juro aplicada à facilidade permanente de cedência de liquidez manteve-se em 0,25%.

Também o programa de compra de ativos de emergência, destinado a limitar o impacto da crise causada pela pandemia, permanece com o volume atual. Na sua última reunião de política monetária, em junho, o BCE anunciou a decisão de aumentar em 600 mil milhões de euros o volume do PEPP.

Recorde-se que o banco central mantém o seu anterior programa de compra de dívida a um ritmo mensal de 20 mil milhões de euros, com uma dotação adicional de 120 mil milhões de euros até ao fim de 2020.