Opiniao

O SNS de Arnaut e o desafio a Seara...

Como se pode comprovar, existem diversas avaliações feitas às PPP da Saúde que são genericamente boas na qualidade e eficiência dos serviços prestados, além de registarem ganhos na gestão dos dinheiros públicos. Assim, sugiro fortemente a Marta Temido, que seja ousada e que para o nosso SNS se contratem gestores, com experiência do setor privado para reformular circuitos e agilizar práticas.

1.Em 15 setembro celebraram-se os 41 anos do SNS, efeméride que passou um pouco despercebida para a relevância da data. Os discursos da praxe, os elogios a António Arnaut, falecido em 2018, não foram esquecidos. Em tempos de pandemia, creio ter sido feito o possível até porque o SNS está debaixo de fogo face a diversos atrasos nas consultas, exames e diagnósticos, alegadamente resultantes da covid, como é do domínio público.

Claro que sendo verdade que a covid monopolizou muitos recursos, a realidade conduz-nos a outros problemas. Como temos lido e ouvido, através de diversas reportagens, os números de consultas diminuíram e em todas as famílias com pessoas doentes se vão ouvindo estórias corroborativas.

Assim, atrevo-me a considerar que, perante tamanha sucessão de casos contados, incluindo recomendações que se calhar o melhor é recorrer ao privado desde que se tenha seguro de saúde ou ADSE, existirá um problema estrutural e que estará na organização do SNS. Dinheiro não tem faltado, doentes também não e o acréscimo destes, também provocado pela covid, carece certamente de respostas no capítulo organizacional.

Como se pode comprovar, existem diversas avaliações feitas às PPP da Saúde que são genericamente boas na qualidade e eficiência dos serviços prestados, além de registarem ganhos na gestão dos dinheiros públicos. Assim, sugiro fortemente a Marta Temido, que seja ousada e que para o nosso SNS se contratem gestores, com experiência do setor privado para reformular circuitos e agilizar práticas.

Claro que a sua ideologia nestas matérias é forte obstáculo, mas, por favor, seja pragmática. Acredito que deseje, tanto como nós que elegemos os políticos, que o SNS funcione exemplarmente de modo a poder ter na sua lapela justificadamente esse orgulho.

Mas, acredite numa coisa – com gente que nunca passou pelo privado, só por milagre o irá conseguir. Gente que saiba o que custa pagar ordenados e que tenha tido noitadas e insónias para o conseguir. Gente que ao chegar o final do mês tenha sentido ‘friozinho no estômago’ porque muitas famílias dependem das suas decisões para poderem pagar contas.

Até por experiências vividas, sei que a ministra da Saúde não pode fazer milagres porque os orçamentos em Portugal não esticam, mas creia que se seguir a minha sugestão, o SNS irá certamente melhorar a organização e, consequentemente, os indispensáveis serviços que presta.

2. Poiares Maduro, agora num Conselho Consultivo de Rui Rio, lançou o mote das eleições autárquicas para Lisboa, contudo desiludindo aqueles que pensariam que iria mostrar a sua disponibilidade. Ao invés, sugeriu Paulo Portas para liderar uma lista que congregue tendências de direita e centro para fazer face a Medina.

Não acredito que Portas aceite. Está noutra dimensão e Lisboa não estará nos seus circuitos. No entanto, a ideia de Poiares Maduro é relevante porque existindo ganhar e perder, partidos como o PSD ou o CDS não podem desistir de quaisquer eleições como sucedeu da última vez.

Assim sendo e porque gosto de dar palpites sobre estas matérias – veja-se o ‘tiro na água’ que dei ao alvitrar Arménio Carlos para as presidenciais pelo PCP – aqui venho sugerir o nome de Fernando Seara. Pessoa experimentada nas lides autárquicas bem comprovada em Sintra, creio ser pessoa com perfil ideal para almejar o lugar de Lisboa.

Sei que já perdeu uma vez contra António Costa, mas as circunstâncias hoje são diferentes. Medina está muito desgastado, o recente envolvimento nas eleições do Benfica retirou-lhe prestígio e votos (tal como a Costa), as obras na cidade são longe de serem consensuais, nomeadamente as ciclovias nos sítios mais inesperados como se Lisboa fosse cidade plana. Enfim, do meu ponto de vista, Seara tem tudo para capitalizar e seria um excelente nome para uma aliança conservadora.

3. O Conselho de Finanças Públicas reviu esta semana alguns dados na economia portuguesa e, para mal dos nossos pecados, vem corroborar algumas projeções para dezembro 2020 que aqui referi há pouco tempo: i) défice do PIB em 7,2%, e ii) dívida pública em 137,6% do PIB. Mas o pior para mim são as projeções até 2024, todas com défices orçamentais anuais que nesta data serão ainda de 2,7% do PIB. Felizmente que não há perspetivas dos juros se agravarem, mas mesmo assim, digam-me com toda a franqueza: não é melhor enfrentar estas realidades com realismo e pragmatismo do que com ideologia utópica?

 

P.S. – O futebol nacional iniciou uma campanha política visando que o público volte aos estádios, dado que alegadamente depende disso a própria sobrevivência. Mas esquece o tratamento de privilégio obtido quando a DGS permite que num qualquer clube com jogadores infetados estes sejam afastados, continuando os outros a jogar como se nada fosse. Alguém me explica a coerência com o exigir que simples cidadãos que tenham contacto com infetados por covid fiquem 14 dias em quarentena?