Sociedade

As 488 caixas de correio de Rui Pinto

‘Se aquilo era a fonte de rendimento, o arguido devia viver muito mal’ – disse em sede de julgamento o inspetor da PJ José Amador, em relação à negociação de livros antigos em leilões por parte do hacker Rui Pinto.

Rui Pinto esteve presente na oitava sessão de julgamento do caso Football Leaks – o arguido está acusado de 90 crimes – na passada quinta-feira. A audiência de dia 01 de outubro foi dedicada à audição de José São Bento, especialista da PJ na unidade de combate ao cibercrime e criminalidade tecnológica. O inspetor indicou que um dos discos rígidos do hacker, apreendido em Budapeste, tinha 488 caixas de correio configuradas. Rui Pinto possuía ainda os certificados digitais necessários para aceder sem verificação aos sistemas informáticos da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), da sociedade de advogados PLMJ, da Procuradoria-Geral da República (PGR), do Sporting ou do fundo de investimento da Doyen. Estas foram algumas das entidades atacadas pelo hacker.

Relativamente aos rendimentos de Rui Pinto, José Amador confirmou que não foram encontrados indícios de que o arguido estivesse a beneficiar de proveitos económicos ilícitos. No material apreendido também não existiam sinais de que o hacker movimentasse contas em criptomoedas. O inspetor da PJ afirmou que encontrou uma pen com documentos relacionados com a compra e livros. Relativamente aos rendimentos de Rui Pinto, José Amador confirmou que não foram encontrados indícios de que o arguido estivesse a beneficiar de proveitos económicos ilícitos. No material apreendido, também não existiam sinais de que o hacker movimentasse contas em criptomoedas. O inspetor da PJ afirmou que encontrou uma pen com documentos relacionados com a compra e livros associados à segunda guerra mundial, mas que os “valores muito modestos” e “se aquilo era a fonte de rendimento do arguido devia viver muito mal”.  à segunda guerra mundial, mas que os “valores muito modestos” e “se aquilo era a fonte de rendimento do arguido devia viver muito mal”.

José Amador falou ainda sobre a colaboração de Rui Pinto com as autoridades afirmando que existem condições para ir além da abertura dos discos encriptados. Durante a fase inicial, a colaboração do hacker com a PJ pode ter estado condicionada pela ausência de garantia de que o conteúdo informático não iria servir para autoincriminação. Durante a audiência não ficou claro se essa exigência deixou de ser feia ou se foi acedida pelas autoridades. O inspetor revelou-se no entanto pouco otimista relativamente à abertura dos discos sem a intervenção do arguido.

Rui Pinto tem 31 anos e está a ser acusado de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, 6 de acesso ilegítimo e ainda sabotagem informática e extorsão na forma tentada.