Economia

Fusão. Liberbank e Unicaja retomam negociações

Operações de consolidação no setor financeiro não são novas mas estão a ganhar novas dimensões, principalmente no mercado espanhol. Caso a operação se concretize dá lugar ao sétimo maior banco de Espanha

Os movimentos de consolidação no setor financeiro continuam com Espanha a dar o pontapé de saida.  Depois de ter sido anunciado, na semana passada, a compra do Bankoa por parte do Abanca, consolidando assim sua a posição no país basco.  Agora é a vez dos bancos Unicaja e Liberbank terem anunciado que retomaram as conversações em torno de uma possível fusão. Esta ideia tinha sido posta em cima da mesa no ano passado, mas foi agora confirmada pelas duas instituições financeiras. 

O Unicaja “confirma contactos preliminares com o Liberbank, com o conhecimento da administração”. Uma informação que também foi avançada pelo Liberbank.

Caso esta operação se concretize, dá origem ao sétimo maior banco de Espanha. Também o Abanca viu aumentar o seu volume de negócios em 4.374 milhões de euros (1788 milhões de euros em crédito a clientes, 1575 milhões de euros em depósitos e 1011 milhões de euros em fundos fora do balanço) para 93 mil milhões de euros, ocupando o lugar de sexta entidade espanhola por ativos, com mais de 65 mil milhões de euros.

E os movimentos de consolidação no mercado espanhol poderão não ficar por aqui. De acordo com o El Confidencial, o Banco Sabadell está em contactos semelhantes com o BBVA e o Kutxabank. Isto, depois de o Caixabank ter acordado recentemente a compra do  Bankia. 

BCE defende estas operações

O próprio Banco Central Europeu (BCE) tem vindo a apoiar esta tendência, já que sempre defendeu a ideia de que é necessário que o setor bancário diminua, através de operações de fusão e aquisição que acabam por criar mais benefícios para o sistema financeiro do que propriamente para o cliente.

Pedro Amorim lembrou ao SOL que este cenário não se aplica apenas à vizinha Espanha. “Não é só em Espanha, temos por toda a Europa. É previsível, e o objetivo será reduzir pessoal, tornando sistemas únicos e aumento de sinergias com a partilha de ‘know-how’”. E reconhece que estas operações surgem mais quando assistimos a dificuldades no setor, dando como exemplo o que se passou com a indústria farmacêutica há uns poucos anos. E de acordo com o responsável, “poderemos assistir a uma redução de 30% dos balcões e 30% do pessoal em 3-4 anos, e 50% nos próximos 10 anos, sem qualquer exagero. A lógica bancária de ter balcões começa a ter os dias contados, até porque devido ao contexto epidémico os bancos estão a reforçar os sistemas de apoio ao cliente à distância através de melhores aplicações, centros de contacto, entre outros”, disse o analista da Infinox.

Uma opinião partilhada por Henrique Tomé. “Os grandes grupos empresariais tendem a adquirir outras empresas para conseguirem uma maior quota de mercado e porque estas aquisições acabam por trazer vantagens económicas às empresas, uma vez que acabam por ter uma maior facilidade no acesso a crédito, nomeadamente financiamento junto aos bancos a juros perto de zero”, referiu ao SOL, o analista da XTB, acrescentando que “a tendência já dura há alguns anos e observa-se em toda a Europa e também nos EUA”.