No meio de nós

Um santo que usa Nike!

Carlo Acutis é talvez o primeiro santo da contemporaneidade. 

Numa vitrina, debaixo do altar, está o corpo morto de um jovem italiano: Carlo Acutis. Num vídeo divulgado a propósito da sua beatificação, que decorre no próximo dia 10 de outubro, vê-se o bispo a abrir a portada da vitrina onde está o corpo deste santo. É talvez o primeiro santo vestido com roupas modernas…

É uma imagem impactante! Nós estamos habituados a ver os santos nos altares, vestidos com roupas de séculos passados e alguns com vestimentas intemporais. O exemplo das suas vidas é maravilhoso, mas provavelmente a maioria dos nossos contemporâneos não se consegue identificar com as suas imagens.

Carlo Acutis é talvez o primeiro santo da contemporaneidade. Ele nasceu em Londres, em 1991, e veio a morrer perto de Milão, em 2006. Tinha 15 anos. Depois de ter feito a primeira comunhão, aos sete anos, passou a ir à missa várias vezes à semana e não apenas ao domingo. Queria comungar e ter Jesus dentro de si. Todas as semanas se confessava.
Tinha uma paixão enorme por computadores e usando-os com meio de evangelização, pelo amor que tinha à eucaristia, juntou todos os milagres eucarísticos que aconteceram no mundo inteiro. Ele colecionou e publicou cada um dos milagres eucarísticos desde a idade dos 11 anos. 

O resto da história o caro leitor poderá ir ver na internet e seguir a beatificação através dos meios digitais. O seu corpo está incorrupto e o que mais me impressionou foi ver que nos pés ele tem calçados uns ténis da Nike. É verdade! Um santo que usa Nike!

Penso que este caso é um caso relevante, por várias razões. A primeira diz respeito à atualidade da sua vida. Carlo Acutis vai ser beatificado e morreu apenas há 14 anos. Não é frade, nem padre, nem está ligado a nenhuma ordem religiosa, mas é um adolescente, leigo.  É verdade! Um leigo, adolescente, apaixonado pela vida, pelos computadores, pela vida social. Um jovem normal como tantos outros jovens que vão à escola todos os dias. Aos 15 anos morreu de leucemia e entregou o seu sofrimento pelo Papa Bento XVI e pela Igreja Católica.

É isto que impressiona. Saber que é possível a santidade no século XXI, que é possível um adolescente ser santo. Este é um modelo de vida para tantos e tantos adolescentes, jovens e até adultos que querem viver a sua vida normal numa união profunda com Deus.

Não sei o que pensam as pessoas comuns disto tudo. A mim impressiona-me ver os modelos que os adolescentes e os jovens têm hoje em dia. Desde tenra idade que têm como ídolos os atores, os cantores e demais exemplos do mundo da cultura.Nada disso é mau. Nada disso é pecado. Nada disso é necessariamente proibido.
Há, no entanto, uma realidade que penso que temos que nos debruçar cada vez mais. Estes ídolos estão cada vez mais a esvaziar os nossos jovens, a nossa cultura, a nossa sociedade. É como se criássemos uma sociedade de gente oca, sem nada, sem objetivos de vida. Na realidade vemos bandos de rapazes e raparigas que deambulam na cidade, aos milhares, com garrafas na mão, um cigarro na outra e nem digo mais o quê.

É assim! Quem semeia ventos, colherá tempestades.

Eu estou seguro de uma coisa: o nosso corpo pede-nos sempre euforia e a nossa alma procura sempre a paz. 
Não sou daqueles que pensa que não há lugar para diversão e para beber uma cerveja ou fumar um cigarro. Não sou e não penso dessa maneira.

Gostava, no entanto, que, tal como Carlo Acutis teve a oportunidade de entrar na vida interior, aquela vida que procura a paz que lhe permitiu enfrentar uma doença tão grave como é a leucemia com uma serenidade enorme, assim muitos de nós pudéssemos entrar nesta relação de interioridade.