Economia

Católica considera “pouco provável” metas do Governo e do BdP

Governo apontou no Orçamento Suplementar queda de 6,9% do PIB. Já esta terça-feira, Banco de Portugal falou em 8,1%.

Os economistas da Universidade Católica do NECEP mantêm, para o conjunto do ano de 2020, como cenário central uma queda de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), com um intervalo de queda compreendido entre -9% e -12%. “Desta forma, é pouco provável uma queda do produto limitada aos 6,9% inscritos pelo Governo no Orçamento Suplementar 2020 ou de 8,1% como avançou recentemente o Banco de Portugal”, consideram, explicando que tal “parece difícil de conciliar com os dados desde meados de setembro que sugerem a degradação da conjuntura nacional e europeia”.

Já para 2021, a economia portuguesa deverá permanecer 8% abaixo do nível de 2019, o que dizem que “configura uma crise profunda e uma recuperação relativamente moderada no próximo ano”.

“No melhor dos cenários, 2021 poderá fechar a cerca de 5% do registo de 2019, mas não é de descartar um cenário com perdas próximas dos 12%”, acrescentam, uma vez que há muitos fatores a provocar incerteza (confinamento, evolução da pandemia, recuperação da procura externa e do turismo, política orçamental).

Os economistas da Católica dizem ainda que a “celeridade na aplicação dos novos fundos europeus é outra incógnita” e que “poderá protelar para 2022 uma recuperação mais robusta do investimento e do PIB”.

Já sobre o terceiro trimestre deste ano, o NECEP estima que a economia portuguesa terá descido 12,5%, em termos homólogos, e crescido 5% em cadeia (face ao trimestre anterior).

Desemprego sobe

A taxa de desemprego terá aumentado de 5,6% no segundo trimestre para 7,8%, referem, justificando com a “reaproximação ao mercado de trabalho dos inativos que ficaram sem trabalho durante o período do confinamento, para além dos demais indivíduos em situação de desemprego como resultado da recessão já instalada no país”.  Já este ano, a taxa de desemprego este ano deverá fixar-se em 7,4%, estimam.

Os economistas consideram “muito preocupantes” os indicadores relacionados com as exportações, sobretudo da atividade do turismo, que “parece estar a menos de metade do que é normal para esta época do ano, quer em número de dormidas, quer na receita gerada na forma de exportações”.

Assim, estimam que as fortes restrições impostas às deslocações de pessoas, desde logo de turistas britânicos, podem ter levado a uma queda das exportações no terceiro trimestre de mais de 30% em termos homólogos.

“Os dados mais recentes de encomendas do exterior de bens produzidos em Portugal são também pouco entusiasmantes”, consideram, ainda que realcem pela positiva que a “produção industrial tenha conhecido uma saudável recuperação em julho e agosto, aparentemente motivada pelo mercado interno”.

Os economistas da católica referem que o comércio a retalho deu sinais de melhoria no terceiro trimestre, especialmente em julho, com a confiança dos consumidores a recuperar logo após o confinamento, mas apontam também para “sinais recentes de algum pessimismo”.

Já em melhor estado, referem, estará o investimento, sobretudo na construção, que se tem revelado “o setor de atividade económica mais resiliente face aos efeitos do confinamento e da pandemia”.