Internacional

EUA. O debate que fez desejar que os vices fossem líderes

Mike Pence e Kamala Harris debateram política após o desastre que foi o debate presidencial, enquanto Trump vendia uma “cura” milagrosa para a covid-19.

 


Após a confusão debate presidencial da semana passada, recheado de insultos pessoais e interrupções constantes, os norte-americanos foram surpreendidos por um debate cordial, centrado na discussão política, entre os candidatos a vice-presidentes. Agora, sabem que o próximo debate presidencial, marcado para quinta-feira, não deverá ocorrer. Joe Biden exigiu que o debate fosse à distância, dado que nessa altura Donald Trump, infetado pela covid-19, ainda deverá estar contagioso. O Presidente recusou.

“Não é aceitável para nós, não vou desperdiçar o meu tempo com um debate virtual. Não é assim que os debates são, sentados atrás de um computador”, queixou-se à Fox News. “E depois eles cortam-te quando quiserem”, acrescentou Trump, que interrompeu Joe Biden 73 vezes durante o primeiro debate. O próprio moderador, Chris Wallace, da Fox News, admitiu que o debate presidencial foi um desastre, sendo amplamente criticado por não conseguir impor-se.

O contraste com o debate de quarta-feira entre os candidatos à vice-presidência não podia ser maior. Mike Pence manteve-se calmo - tão calmo que uma mosca posou na sua cabeça durante dois minutos sem levantar voo - e defendeu a gestão da pandemia, desaprovada por quase dois terços dos eleitores. Acusou o plano de Joe Biden de ser um cópia do de Trump e salientou os avanços na pesquisa por uma vacina. Já a democrata Kamala Harris esteve ao ataque, acusando a Administração de minimizar a pandemia e negar as alterações climáticas. “Vimos um padrão com esta Administração, que é que não acreditam em ciência”, sentenciou Harris.

“Houve imensas vezes durante esta campanha eleitoral em que tanto republicanos como democratas desejaram que estivessem os seus candidatos vice-presidenciais na liderança”, escreveu Benjamin Wallace-Wells, colunista da New Yorker.

 

“Bênção” A covid-19 infetou quase 7,8 milhões de pessoas nos Estados Unidos e matou mais de 217 mil. Contudo, para o Presidente, apanhar a doença foi “uma bênção de Deus”, descreveu perante as câmaras, sem máscara, num vídeo editado pela Casa Branca.

O vídeo quase parece um anúncio a um dos medicamento que o Presidente tomou, um cocktail de anticorpos experimental da Regeneron. Trump era acionista da empresa em 2017, mostram as suas declarações fiscais, e o seu CEO, Leonard Schleifer, faz parte do clube de golfe de Trump, em Westchester.

O Presidente chegou a referir-se ao cocktail de anticorpos como “muito mais importante que a vacina”, uma “cura” para a covid-19 - resultados iniciais da empresa mostram que o medicamento pode diminuir o tempo de hospitalização, mas ainda não há cura para o vírus. Horas após ser divulgado o vídeo, a Regeneron pediu a aprovação de emergência do medicamento à agência responsável, a FDA, e o valor das suas ações subiu 3,73% após o fecho da bolsa.

Além de elogiar o medicamento experimental da Regeneron, prometendo torná-lo disponível a todos os norte-americanos, Trump também gabou mais uma vez a sua saúde. “Sinto-me ótimo, sinto-me perfeito”, garantiu. Ainda assim, fontes da CNN na Casa Branca informaram que o Presidente sofreu de falta de ar ao longo dos últimos dias.

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