Sociedade

Realizaram-se quase 20 mil testes por dia em outubro

Marta Temido sublinhou o aumento da capacidade de testagem e adiantou que no dia 7 de setembro foi estabalecido o recorde de rastreio à covid-19, com 28.392 testes realizados, 8% dos quais foram positivos. "Um sinal de alerta", afirmou a ministra.

A ministra da Saúde, Marta Temido, revelou esta sexta-feira, dia em que se registaram 1.394 novas infeções de covid-19 em Portugal – o segundo pior dia no país desde o início da pandemia  - que a taxa de incidência registada foi de 67,4 novos casos por 100 mil habitantes e de 115,4 nos últimos 14 dias. Face a esta situação, a governante referiu que Portugal se enquadra na realidade vivida na Europa, mas admitiu que estes indicadores “inspiram naturais preocupações” quanto à pressão exercida sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Na habitual conferência de imprensa das autoridades de saúde, Marta Temido destacou, no entanto, o “investimento” que tem sido feito para que o SNS consiga dar resposta e realçou o aumento da capacidade de testagem.

“Passamos de uma média de 2500 testes por dia em março para 19.600 testes por dia neste mês de outubro”,disse. Segundo a governante, o dia 7 de outubro, quarta-feira, foi o dia em que foi estabelecido o recorde de testagem, com 28.392 testes realizados. Ainda assim, destes, quase 8% tiveram resultado positivos, o que é "um sinal de alerta".

Apesar de destacar os reforços que foram feitos para responder à covid-19, como foi também o caso do investimento na linha SNS24 ou nos ventiladores, a governante confessou que há "muitas coisas para continuar a melhorar", como é o caso do "atendimento telefónico e as zonas de espera dos cuidados de saúde primários".

"Estamos a falar de intervenções complexas e de problemas antigos do SNS que se agravaram no contexto da pandemia”, disse.

Marta Temido diz ainda que tem de haver equilíbrio na resposta às atividades assistenciais não covid-19 e que esta não é altura de “desistir”. De realçar que, contrariamente ao que aconteceu no início da pandemia, os hospitais estão a tentar manter as atividades programadas.

“Este é um equilíbrio para o qual precisamos de contar com todos, embora exija níveis de stress que são superiores àquilo que fosse uma simples opção pelo cancelamento de atividade não urgente", avisou a governante. "Este não é o momento de ninguém desistir e tenho a certeza que podemos contar com o melhor de todos", acrescentou.

Nesta sequência, o presidente da Autoridade Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), Luís Pisco, explicou como os 13 hospitais da região estão a tentar conciliar os cuidados a doentes covid e não covid. Segundo responsável, os hospitais dispõem de 7.083 camas e 6.330 destas são camas que podem ser usadas em situações covid ou não covid. As restantes são camas que não pode ser usadas para outros fins a não ser aqueles para as quais estão destinadas como é o caso de transplante, obstetrícia ou queimados.

“Temos 503 camas para 383 doentes internados, o que quer dizer que ainda não atingimos o nosso limite”, disse o presidente da ARSLVT.  “Nas Unidades de Cuidados Intensivos temos um total de 185 camas a mais caso seja necessário alojar”, acrescentou, garantindo ainda que há outras estruturas a prestar apoio e que podem fornecer mais camas para doentes não urgentes.

Marta Temido revelou ainda que Portugal tem neste momento 381 surtos ativos de covid-19 e a maioria regista-se nas regiões Norte e de Lisboa e Vale do Tejo.

Questionada pelos números revelados pela Fenprof referentes ao número de estabelecimentos de ensino com casos de covid-19 (122), a ministra da Saúde apelou que não se confundam números, uma ideia reforçada pela diretora-geral da Saúde. "Uma coisa são casos isolados, outra são os surtos. (...) O surto são dois ou mais casos com coincidência epidemiológica", explicou Graça Freitas, que aproveitou para dizer que, esta sexta-feira, estão ativos 28 surtos em escolas, com 175 casos positivos.

A diretora-geral da Saúde disse ainda que 67% dos casos em Portugal vêm de confraternizações familiares, como batizados ou banquetes. Graça Freitas aproveitou então o momento para apelar  “às pessoas e às famílias” para evitarem este tipo de encontros. “Muitas vezes [este tipo de evento] é acompanhado de refeições, as máscaras são retiradas, o que ainda aumenta o risco”, disse.”Às famílias, às pessoas e aos amigos tentem confraternizar menos”, pediu.