Sociedade

Hospitais do Norte com mais pressão. Coordenação de vagas em Lisboa ainda não está operacional

Em Lisboa, aumento de internamentos tem sido mais ligeiro, mas ontem ainda não havia coordenação.

O aumento de casos no Porto levou ontem o Hospital de S. João a acionar a fase 3 do plano de contingência, aumentando a capacidade para internar doentes nos próximos dias e responder à maior afluência às urgências. A decisão foi comunicada ao final do dia pelo hospital, que nos últimos dias tem registado maior procura. Ontem o São João tinha internados 53 doentes, 11 em cuidados intensivos. As projeções apontam no entanto para uma subida marcada dos casos na região Norte nos próximos dias e só esta segunda-feira o São João recebeu 169 casos suspeitos na urgência, adiantou ao i o hospital. Na última semana, a região registou um aumento de 76% dos novos casos face à semana anterior e prevê-se agora um ritmo de crescimento sem precedentes, dado que se ultrapassou o pico de incidência registado em março.

Ontem, do total de 1208 casos reportados no país nas 24 horas anteriores, 713 foram na região Norte. Na semana passada, na terça-feira, tinham sido reportados 231 casos no Norte. Note-se que no dia anterior tinha sido feriado, mas mesmo no dia seguinte registaram-se 356 casos na região, números que esta semana estão a ser superiores mesmo a meio da semana. Durante a tarde a Administração Regional de Saúde do Norte tinha confirmado ao i um aumento dos doentes internados em todos os hospitais da região, indicando no entanto que até ao momento não tinha sido necessário acionar os planos de contingência. O São João justificou a decisão com a necessidade de aumentar as áreas de internamento dedicadas à covid-19 e urgência. Um alargamento da capacidade de resposta que mobiliza o serviço de medicina interna e que implicará uma limitação da atividade cirúrgica não urgente, suspendendo parte da operações programadas.

O S. João torna-se assim o primeiro hospital a suspender parte da atividade programada para aumentar a capacidade de resposta aos casos de covid-19, depois de já na primeira vaga da epidemia ter sido o primeiro hospital a ter de tomar essa decisão.

Na região de Lisboa, que no final de setembro registava um maior número de casos, ontem foram reportados 340 novos casos. Segundo o i apurou, os hospitais, apesar de terem vindo a registar um progressivo aumento de doentes, tinham ontem uma situação um pouco mais folgada do que na semana passada, com maior pressão sobre os internamentos em enfermaria do que em cuidados intensivos. A incerteza que existe a esta altura perante o aumento de casos suscitava alguma apreensão. Ao que o i apurou, ainda não estava operacional a nova estrutura de coordenação de vagas entre hospitais anunciada pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo para esta semana, depois de os hospitais terem pedido maior coordenação.

 

Internamentos aceleram

O número de doentes com covid-19 internados nos hospitais subiu esta terça-feira para 916, o número mais elevado desde o início de maio. Na altura a epidemia estava em fase descendente, depois de ser sido decretado o estado de emergência a 18 de março. No pico estiveram hospitalizados 1302 doentes nos hospitais, a maioria no Norte do país, onde nos primeiros meses da epidemia se registaram mais do dobro dos casos do que em Lisboa. Nos cuidados intensivos chegaram a estar internados 271 doentes.

Esta terça-feira os hospitais registavam mais 184 doentes internados do que no mesmo dia da semana passada. No período homólogo o aumento tinha sido de 71 doentes. A pressão sobre o internamento começa a assim aproximar-se a um ritmo mais rápido do pico atingido em abril, sem previsão para abrandar no imediato. O plano para o outono/inverno do Ministério da Saúde prevê a ativação de estruturas de retaguarda “especialmente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto”, para aumentar a eficiência, unidades que ontem não eram ainda conhecidas.