Sociedade

"Senti muito claramente que era preciso haver um abanão na sociedade", diz Costa

Em entrevista ao jornal Público, Costa continua a resistir à possibilidade de um novo confinamento geral, devido à economia, e considera que "é no comportamento individual" que está a solução.

O primeiro-ministro, António Costa, disse que o Governo sentiu necessidade de “enviar um sinal claro” aos portugueses de que é preciso alterar comportamentos no âmbito da pandemia e que as novas medidas foram decretadas, esta quarta-feira, uma vez que era preciso “haver um abanão”.

"Senti muito claramente que era preciso haver um abanão na sociedade", disse António Costa, numa entrevista ao jornal Público, que será publicada na íntegra esta sexta-feira."O tempo foi passando, as pessoas foram ficando saturadas, foram-se habituando ao risco ou desvalorizando o risco porque a faixa etária [dos contágios] foi mudando", acrescentou o primeiro-ministro.

O chefe do Executivo frisa que as medidas decretadas esta quarta-feira não estão relacionadas com o número recorde de infeções diárias que se registou, mas sim com a "situação grave que o país está a viver de subida consistente dos casos" desde meados de agosto.

Costa continua a resistir à possibilidade de um novo confinamento geral, devido à economia, e considera que "é no comportamento individual" que está a solução.

"Se posso jurar a pés juntos que não serão dados passos dramáticos? Não posso. É uma questão de bom senso. Mas temos de o evitar", disse.

Na mesma entrevista, o primeiro-ministro revelou ainda que estão a ser preparadas unidades de campanha em Lisboa para estender a capacidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), tal como acontece no Porto, e que o hospital de campanha de Santa Maria será reativado.

Costa realça ainda que o SNS está agora “mais bem preparado para lidar com a doença" e que o sistema está pronto para crescer consoante as necessidades.

"Temos capacidade de resposta. Os hospitais funcionam em rede, é possível gerir fluxos em função das necessidades variáveis de um hospital para outro", disse.