Pais pagam taxas de até 5% no carregamento dos cartões das refeições escolares dos filhos

As autoridades de saúde aconselham a utilização dos meios digitais para segurança da população. 

Os alunos estão a utilizar cada vez mais os cartões das refeições escolares e, segundo o Jornal de Notícias, os encarregados de educação estão a gastar mais dinheiro com este método de pagamento, visto cada carregamento englobar uma taxa que pode ir de 3,5% até 5% – entre 37 e 75 cêntimos. 

A Confederação Nacional Independente de Pais (CNIPE) disse que vários encarregados de educação se têm queixado do valor das taxas visto as autoridades de saúde aconselharem a utilização dos cartões para segurança da população.

"O volume de carregamentos aumentou significativamente. Em setembro, tivemos mais carregamentos do que em quatro meses do ano passado. Estamos a tentar negociar com a SIBS para reduzir a taxa que é cobrada", explicou a Microio, empresa detentora do sistema de gestão escolar usado em metade das escolas do continente, ao Jornal de Notícias. 

Segundo a empresa, grande parte do valor da taxa vai para a SIBS (empresa que disponibiliza serviços financeiros) pela utilização do seu sistema (gateway). O restante valor cobre os custos de operação dos pagamentos e de fazer chegar o dinheiro às escolas.

De acordo com o porta-voz da Microio, no âmbito do processo de descentralização, os municípios de Aveiro, de Amarante e de Vila Franca de Xira já assumiram os custos destas taxas, no entanto, segundo o presidente da CNIPE, Rui Martins, nem todas as escolas podem assumir este valor. "Quem poderia assumir este custo? As escolas? Também não poderia ser. Os sistemas visam facilitar a vida aos pais, mas essa facilidade tem custos e, infelizmente, repercute-se no consumidor final”, apontou. 

Já o Ministério da Educação recordou aos encarregados de educação que podem evitar o pagamento destas taxas se forem os filhos a carregar os cartões com dinheiro directamente nas papelarias ou repografias dos estabelecimentos escolares.