No meio de nós

Stayaway parvoíce!

Então, se fazemos downloads de todas as aplicações sem saber ao certo a sua origem, se somos monitorizados pela Google e pela Apple, se colocamos os nossos dados em todos os sites que nos aparecem, não compreendo porque anda tudo tão ofendido com a bendita da Stayaway Covid.


Não compreendo a questão polémica sobre a aplicação para telemóveis chamada Stayaway Covid. E não compreendo, porque é que um governo tem de chegar a pensar em propor obrigar, por lei, a instalar a aplicação.

É uma insanidade mental, esta em que vivemos!

Na realidade, nenhum governo deveria ser obrigado a pensar, sequer, usar a força para que os cidadãos façam o download de uma aplicação que, paga por todos, é para proteger todos.

Eu devo ter sido dos primeiros a instalar a aplicação no meu telemóvel porque penso ser importante proteger-me contra este bicharoco chamado covid-19 e considero ainda mais importante proteger os outros com quem contacto todos os dias.

Lá virão, depois, comentários sobre esta minha posição. O que digo não é um dogma de fé! Falo apenas do que vivo e sinto todos os dias e que penso que às vezes entramos em neuroses coletivas que não fazem sentido nenhum.

Esta neurose de não querer meter a aplicação no telemóvel porque não querem dar dados da sua localização ou da sua situação ou do que quer que seja para o Governo é uma parvoíce.

A Google sabe todos os dias onde estamos. Sim! Todos os dias o trânsito é medido pelo Google Maps a partir da localização dos carros. É verdade, sim! Também eles controlam as nossas escolhas nos motores de busca e usam para fins comerciais internos.

E os nossos emails não estão quase todos na Google? E alguém tem medo que venha o bicho papão para ler as mensagens que lá temos, há anos, guardadas, sem ninguém pagar nada?

Ou será que as pessoas pensam que a Google ou a Yahoo são empresas equiparadas à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa? Será que pensam que têm uma conta de email s em pagar nada por razões caritativas?

Também há outra coisa que não consigo compreender! Todos os dias instalamos e desinstalamos aplicações sem saber ao certo quem as colocou ao dispor dos utilizadores, o que irão fazer com os dados que introduzimos.

Sim, porque nas aplicações que colocamos todos os dias e nos sites onde compramos livros e computadores e aspiradores e fazemos as compramos online obrigam-nos a colocar os nossos dados todos.

Agora com o confinamento o Continente e o Pingo Doce nem tinham mãos a medir com as compras online. É verdade… Também aqui tivemos de colocar até a nossa morada e todas as outras informações pessoais.

Então, se fazemos downloads de todas as aplicações sem saber ao certo a sua origem, se somos monitorizados pela Google e pela Apple, se colocamos os nossos dados em todos os sites que nos aparecem, não compreendo porque anda tudo tão ofendido com a bendita da Stayaway Covid.

É verdade. Eu instalei a aplicação e nunca me pediu os meus dados. Nunca me pediu o nome. Nunca me pediu o meu email ou meu número de telefone. Apenas tive de a instalar. Se um dia tiver contraído o vírus os meus amigos vão gostar de saber que têm de fazer o teste porque estiveram em contacto com alguém infetado.

Na realidade não me agrada que um polícia me venha pedir o meu telemóvel para ver se tenho instalada a dita aplicação, mas também numa me agrada quando um polícia me peça o que quer que seja, porque provavelmente infringi alguma lei – e já o fiz várias vezes.

É evidente, para mim, que esta proposta nunca irá seguir em frente, até porque mesmo que todos tenhamos a aplicação, não há forma de controlar se colocámos, ou não, a informação de que fomos infetados.

É evidente, também, que esta neurose coletiva contra uma aplicação que sabemos vir de uma entidade pública altamente controlada é uma espécie de birra de meninos mimados que têm medo que o Estado venha vasculhar no seu telemóvel os seus segredos.

Não tenham medo! O Estado já antes tinha todos os nossos dados. Esta aplicação não pede mesmo nada.