Opiniao

Que se lixem os profissionais de saúde! (Dizem eles)

Os alertas chegam de todo o lado, porque muitos hospitais públicos estão a atingir o limite. Também há centros de saúde a ficar congestionados. No entanto, porque não, organizar um evento mal estruturado, apinhado de gente em época de pandemia mundial?

Os lares estão em colapso, para tratarem dos doentes. Estão em colapso por si só. Os profissionais de saúde, estão em colapso porque não são devidamente estimados, como se as palmas chegassem. “Faltam sete mil operacionais dos 15 mil prometidos pela Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) ao abrigo do programa criado para reforçar a assistência em lares durante a pandemia”. Em breve estarão os hospitais, os alertas chegam de todo o lado, porque muitos hospitais públicos estão a atingir o limite. Também há centros de saúde a ficar congestionados. No entanto, porque não, organizar um evento mal estruturado, apinhado de gente em época de pandemia mundial? Mais uma vez a mensagem que se passou foi: “Que se lixem os profissionais de saúde!” Mais uma vez a mensagem que se passou foi: “Temos de levantar a economia, mas só quando e como nós não quisermos!” No entanto é tudo muito selectivo e contraditório. Se estamos a ganhar dinheiro com a compra dos 27 mil bilhetes, estamos a afundar o país numa bolha de cadeias de contágios que irá obrigar a mais medidas de restrição, confinamento de regiões e perda de emprego de centenas de famílias, estamos a gerar a nossa própria pobreza com a particularidade de termos tido cá de facto a “Fórmula 1.” No entanto, a possível e provável cadeia de contágio que ocorreu e ocorre cada vez que dão um destes eventos, tal como as “festas” políticas que parecem ser imunes ao vírus, vão sobrecarregar os profissionais de saúde, já por si infectados ou exaustos, que não têm por onde se virar! O que eu pergunto é, na hora em que ficar tudo deserto, em que se acumularem pessoas em forma de pirâmide nos cuidados intensivos, são os políticos deste país, que vão passar a exercer as funções dos profissionais de saúde? É que dar uma festinha aqui, outra acolá, tem de facto muita graça, é bom até para a moral, no entanto, a moral precisa-se no campo de batalha, e esse não é feito no conforto das nossas casas, mas sim nos cuidados intensivos dos hospitais, a ver por um lado doentes a afogarem-se até à morte devido ao COVID-19, e por outro pacientes que não têm consultas para outro tipo de patologias a morrem da espera devido ao vírus amontoados numa esperança que nunca existiu!