Sociedade

No dia em que se registaram mais casos, centenas de pessoas foram ver as ondas

Portugal continua a registar uma subida acentuada no número de novos casos mas, esta quinta-feira, centenas de pessoas foram até à Nazaré – sem distanciamento e algumas sem máscara.


Ondas gigantes, distanciamento físico difícil de manter e algumas pessoas sem máscara. No dia em que o país registou o número mais elevado de novas infeções por covid-19 – segundo o boletim epidemiológico divulgado esta quinta-feira houve 4224 novos casos –, centenas de pessoas juntaram-se na Nazaré para ver as ondas gigantes.

Apesar de não existir qualquer evento oficial marcado para este dia, centenas de pessoas decidiram ir até às arribas da praia do Norte, depois de ter sido anunciado, sobretudo através das redes sociais, que durante quarta e quinta-feira as ondas seriam gigantes. No local não existiu distanciamento físico e nem todos usaram máscara, ainda que esta quinta-feira tenha sido o segundo dia em que o uso de máscara é obrigatório na rua quando não é possível manter o já referido distanciamento. Na água estavam alguns dos surfistas mais importantes do momento: Nicolau von Rupp, de Portugal, Andrew Cotton, de Inglaterra, Lucas Chumbo, do Brasil, Kai Lenny, do Havai, e Justine Dupont, de França.

Desde que foi decretado o estado de calamidade que não são permitidos ajuntamentos com mais de cinco pessoas, o que não se verificou naquela zona.

Algum tempo depois do ajuntamento, a Câmara Municipal da Nazaré e a Capitania do Porto da Nazaré decidiram cortar o acesso pedonal à estrada do Farol e o trânsito automóvel foi também proibido. No entanto, os múltiplos acessos pedonais à praia do Norte tornaram impossível o controlo das entradas das centenas de pessoas por parte das autoridades. “Não se tratando de nenhum evento organizado, sendo a praia um local público e não havendo, de momento, restrições legais à circulação, a autarquia sensibiliza os visitantes para que evitem aglomerados”, esclareceu o município da Nazaré em comunicado.

Novas medidas deverão chegar este sábado Depois de o boletim epidemiológico registar 4224 novos casos, o número mais elevado desde o início da pandemia, ficou marcado para este sábado o anúncio de novas medidas restritivas para diminuir a propagação da covid-19, depois da reunião extraordinária do Conselho de Ministros.

A informação foi avançada esta quinta-feira por Marcelo Rebelo de Sousa: “Ele [António Costa] expôs-me as ideias que tem. Vai ouvir sobre essas ideias os partidos políticos amanhã [sexta-feira] e vai reunir um Conselho [de Ministros] extraordinário no sábado. Falará ao país no sábado para dizer as medidas para que aponta o Governo e o roteiro dessas medidas”. “E depois eu admito, eventualmente, dizer alguma coisa ao país no decurso da semana que vem”, acrescentou.

Além disso, o Presidente da República não descartou um possível regresso ao estado de emergência. “Se fosse caso de haver novamente estado de emergência, teria de decretar o estado de emergência e tomar mesmo a iniciativa, ainda que por proposta de outro órgão de soberania”, explicou Marcelo Rebelo de Sousa na varanda do Palácio de Belém, em Lisboa.

Já António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, explicou esta quinta-feira que as novas restrições serão tomadas a nível territorial. “E essas restrições serão com certeza ao nível mais dos territórios, para que outros territórios que não estão tanto sob pressão possam respirar do ponto de vista económico e social”, explicou Lacerda Sales ao podcast Política com Palavra, do PS.

Além das novas infeções, o número de internados não para de aumentar e sobe consecutivamente há oito dias. O boletim dava conta de mais 40 doentes internados, num total de 1834. Destes, 269 estão em unidades de cuidados intensivos (UCI), mais sete do que no dia anterior. O país aproxima-se assim do recorde de internamentos em UCI, que pertence a 7 de abril, com 271 internamentos.

Regresso às restrições incluindo no desporto As restrições à circulação entre concelhos regressam esta sexta-feira e estão em vigor até às 06h00 da próxima terça-feira. O objetivo é garantir o mínimo de deslocações possível, tendo em conta que este é um fim de semana em que muitas famílias se juntam devido ao feriado de 1 de novembro, Dia de Todos os Santos. No entanto, apesar de a circulação entre concelhos estar proibida, há exceções. São permitidas deslocações para eventos culturais desde que o espetáculo se realize nos concelhos limítrofes ao da residência habitual. Alunos, qualquer que seja o nível de ensino, professores, pessoal não docente, políticos, magistrados, profissionais de saúde e forças de segurança estão também fora das restrições às deslocações. As idas para os centros de dia estão igualmente autorizadas, assim como a circulação para tratar de “atos da competência de notários, advogados, solicitadores e oficiais de registo”, lê-se no documento publicado esta segunda-feira em Diário da República.

Em conferência de imprensa, a PSP e a GNR explicaram que a ordem será “ficar em casa”. A atenção estará focada nos “principais eixos viários que ligam as grandes cidades do litoral, nomeadamente para o centro e o norte interior de Portugal”, e também em terminais ferroviários e rodoviários, uma vez que é um local onde se verifica normalmente um elevado número de pessoas. E as restrições chegaram também ao mundo do desporto, tendo o Governo decidido adiar todos os encontros das modalidades não profissionais que estavam agendados para este fim de semana. As partidas de andebol, basquetebol, voleibol e hóquei em patins terão de ser reagendadas. Só os jogos das i e ii ligas irão realizar-se.

Também esta semana, o Chega interpôs uma providência cautelar no Supremo Tribunal Administrativo para travar as medidas restritivas e, esta quinta-feira, o tribunal estipulou um prazo de 24 horas para o Governo contestar a providência cautelar.